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ALAGOAS, 200 E O EXTREMO DO SANGUE

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Pode ter virado lugar comum olharmos a complexidade das notícias em jornais e sites e observarmos que Alagoas, se tivesse de ser resumida em uma palavra, fosse classificada tão somente pela ?violência?, nestes 200 anos de emancipação. Um engano, é claro, que pode ser corrigido. Quatro autores alagoanos são obrigatórios para entendermos por onde, como e os rumos destes caminhos, também com sangue, mas não apenas ele. Dirceu Lindoso, Douglas Apratto, Sávio de Almeida e Élcio Verçosa estão para as letras destas terras como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda ou Antonio Candido estão para a compreensão do fenômeno brasileiro. São autores, por serem bandeirantes na reestruturação do nosso pensar sobre Alagoas, que viraram lendas ? ainda vivas ? ao se falar dos tantos e tantos destes lados; entender as revoltas intestinas, os massacres e o impacto da Coroa portuguesa. E ver que o passado e o presente estão entranhados pela concentração da riqueza, a reprodução do modelo de injustiças, o extermínio de pobres, nossa alagoanidade. Somos um pedaço da história em meio a escolas que desprezam a própria história desta terra. O Brasil assistiu a seu começo turbulento nas terras de Porto Calvo, Coruripe, em meio a portugueses com a mais alta tecnologia da época desbravando os mares e plantando cana de açúcar, mais os povos resistindo ou não a instrumentos absolutamente modernos para cortar árvores, explodir pedras e domar a floresta, tudo absolutamente tornado imprescindível naquele choque com os ?incivilizados?. A guerra justa cantada por José de Anchieta aos feitos de Mem de Sá ? testada e aprovada na prática contra os caetés ? pode nos fazer debater se não tínhamos, desde lá atrás, grupos tornados marginais e, portanto, matáveis. A história se repete? Será um ?ranger de dentes e suor de sangue?? É de se esperar nossos silêncios em meio a escândalos de corrupção? Seriam os nossos medos? Ou nossas acomodadas visões de mundo? Ou acharmos estranho vermos os índios como sujeitos reivindicadores, ao se posicionarem sobre a posse das terras em Palmeira dos Índios? Uma história de poderes. Grandes demais, pequeninos demais. Mas, poderosos. Um desafio ao desgaste físico/emocional/psicológico em canaviais e salas de aula. Deus parece distante desta terra. Não é exatamente assim. Mesmo o palavreado livre e insubmisso de seu único filho também teve a solução extrema da manipulação em Alagoas. Mas isso é uma história ainda mais profunda. Os discursos intencionais ainda precisam valer até que conheçamos este nosso passado também politicamente incorreto. E não somente isto, mas também isto. Na hora da fazer girar as rodas dos engenhos ou fazer funcionar as engrenagens apodrecidas das escolas, inventa-se um boato que Deus criou um discurso de legitimação. Mérito? ?Sabe com quem está falando??. Jamais questionar quem manda. Só que as estranhas dos mundos dos que obedecem vão sendo mostradas e discutidas. O debate sobre os 200 anos é inevitável. E os interesses vão, aos poucos, não sendo atendidos. Porque a pólvora é poderosa. E o conhecimento também. Porque o povo, nestes 200 anos, continua seu processo de crescimento. E formação.

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