Opinião
ESMOLA GRANDE, CEGO DESCONFIA
Recordo-me de uma pequena , porém interessante, história que vivenciei quando adolescente, estudante na minha estimada Viçosa. Um meio-cego (pois ainda enxergava parcialmente de um olho)era pedinte juramentado num ?ponto?por ele escolhido. As pessoas generosas sempre lhe davam esmolas, mas reduzidas, porque outros encargos sempre oneravam as contas familiares. Certa vez, um gaiato irrecuperável, colocou na latinha que o cego utilizava no dia a dia, um volumoso pacote , anunciando-lhe a boa notícia. Desconfiado da inesperada doação, abre o embrulho e encontra apenas papéis cortados em forma de notas. Esse episódio inspira-me no momento, quando leio neste conceituado Jornal,edição 3 do mês fluente, pag. 7, uma informação acerca da criação de mais dois Ministérios: Secretaria Geral da Presidência (com Status de Ministério) e Ministério dos Direitos Humanos. Agora teremos 28 pastas, três a menos de quando Temer assumiu o poder. A ex-presidente, Dilma Rousseff, havia reduzido de 39 para 31. Temer, desde logo, num arroubo de demagogia, anunciou que ficariam apenas 25. A Secretaria de Governo terá como titular o ex-Governador Baiano, Antonio Imbassahy; e a Secretaria Geral da Presidência, o atual Secretário Executivo do Programa de Parceria para Investimentos (PPI), Moreira Franco, que costuma jogar em várias posições: ora serve a Dilma , ora a Temer e assim sucessivamente. O que mais chama a atenção de quem examina a ?estória? (com ?E?) é a circunstância de Moreira Franco ter sido citado numa delação premiada. Atribui-se status de ministério a esta pasta para blindá-lo, evidentemente. Tenho batido na tecla de que fica difícil de acreditar nas reformas proclamadas como salvação da Pátria e nos ?cortes? que o Governo Federal faz com o peso da balança sempre pendendo para o mais fraco. Negou aumento justo a muitas categorias. Não pretende realizar concursos e nem liberar verbas para os Tribunais do Trabalho que carecem de pessoal para satisfação de suas necessidades básicas, sobretudo quando precisam de pessoal para atender às classes menos favorecidas. Sabe-se que inúmeros jovens estudaram diuturnamente e foram aprovados em concursos na esfera trabalhista, com destaque para os Estados do Paraná, Minas Gerais e Sergipe. Estão frustados! As vagas existem e os serviços de utilidade pública que prestariam estão prejudicados. Só para citar dois exemplos! Dispõe o Brasil de ministérios e agências Reguladoras para abrigar a chamada base aliada, ávida por cargos bem remunerados. Nada de um ou dois salários mínimos. Desconfia-se, pois, com justa razão, do? apoio? (entre aspas), que o Governo Federal vem logrando no Congresso. É louvável o ? patriotismo? (também entre aspas) desses grupos de Parlamentares das duas Casas Legislativas. Foram eleitos o Presidente da Câmara Rodrigo Maia, questionado no STF, e Eunício Oliveira no Senado. Lanço aqui um desafio simples: Temer extinguiria mais 10 ministérios, agências e embaixadas inúteis; eliminaria os onerosos cartões corporativos e viagens, muitas de caráter turístico. Exoneraria todos os comissionados e ocupantes do Alto Escalão e espere o resultado dessa base quando forem apresentadas as reformas! Se permanecer vitorioso, submeto-me a colocar seu retrato e dos iluminados assessores na minha modesta sala de trabalho.