Opinião
Futebol: � preciso separar o joio do trigo
Uma ampla reunião realizada esta semana ? da qual participaram autoridades de segurança pública, do Ministério Público e da entidade representativa do futebol alagoano ? discutiu a segurança dos torcedores, e da população, nas áreas em torno dos estádios, antes, durante e depois dos jogos do Campeonato Alagoano. Após muita discussão ficou decidido que os jogos entre o Centro Sportivo Alagoano (CSA) e o Clube de Regatas Brasil (CRB) serão transferidos para outros municípios e serão jogos de torcida única. Foram medidas adotadas em cumprimento de determinação do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) como punição aos dois clubes pelos atos de selvageria registrados em maio do ano passado, na final do campeonato alagoano. Apesar dessa medida, o mau comportamento das torcidas azulina e regatiana se repetiu no último domingo, 5, no primeiro jogo entre os rivais pela Copa do Nordeste. Os maus torcedores voltaram a protagonizar confusão nas arquibancadas, entrando em confronto com a Polícia Militar. A violência se estendeu para fora do estádio, com registros de agressão entre eles. Há muito tempo a imagem do futebol brasileiro tem sido prejudicada mundo afora devido aos recorrentes registros de violência. As muitas leis já criadas, como o Estatuto do Torcedor, não têm sido suficientes para acabar com a selvageria. Maus torcedores continuam provocando insegurança e medo sem que as autoridades apresentem uma solução capaz de detê-los. Esse é um problema que não envolve apenas os órgãos de segurança pública. Aliás, o secretário de Estado de Segurança Pública, coronel PM Domingos Lima Júnior, foi direto, distinguindo o torcedor do que chamou de ?bandidos disfarçados?. Segundo ele, os atos de rivalidade que envergonham Alagoas e o futebol são protagonizados por bandidos disfarçados de torcedor para prejudicar a sociedade. Proibir torcidas adversárias em clássicos, aumentar o policiamento, punir com perda de pontos e multas mais pesadas os clubes dos torcedores envolvidos foram medidas já adotadas, mas de pouco efeito na redução da violência. É preciso discutir punições mais severas, como a tipificação criminal dessas condutas. Para isso, é preciso envolver o poder Legislativo, a quem cabe criar leis que refreiem a ação dos maus torcedores. É o que esperam os amantes do futebol!