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Impedir o abuso sexual de crian�as � um dever

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Esta semana, no Acre, uma adolescente de 14 anos matou o pai, de 34 anos, com um tiro de espingarda, alegando que por dois anos foi abusada sexualmente por ele. É uma notícia chocante, mas apenas um exemplo dos milhares de casos registrados em todo País acerca do abuso sexual de crianças e adolescentes. Somente nos primeiros quatro meses de 2016, o Disque 100, serviço do governo federal para receber denúncias de violações de direitos humanos, registrou 4.953 denúncias desse tipo de crime. Em Alagoas os números são estarrecedores! O Fórum de Conselhos Tutelares do Estado registrou, em 2015, um total de 1.956 casos de violência contra a criança (lesão corporal grave, agressão física e estupro). Estatística que, até abril de 2016, já somava mais de 300 denúncias. Tão grave quanto o número de casos, é a identificação do agressor. ?Apenas 4% desses casos de violência foram praticados por pessoas que eram desconhecidas das vítimas. Infelizmente, é nos núcleos familiares, onde crianças e adolescentes deveriam ser protegidos, onde os abusos mais cruéis costumam acontecer? ? revela o presidente do Fórum dos Conselhos Tutelares, José Edmilson Sousa. Os estudos sobre o tema mostram que não há uma causa especifica para essa prática criminosa. Embora seja comum se ouvir que há uma relação entre violência sexual e pobreza, há registros em todas as classes sociais. Muitas vezes o abuso está sustentado numa relação de poder do agressor sobre a vítima. Esse poder pode ser econômico, de força física, de classe social, ou mesmo de gênero. Como mostram as estatísticas, o agressor sexual pode ser qualquer pessoa que se aproxima da criança, podendo, inclusive, ter a confiança dos adultos responsáveis por ela. Em geral os abusadores podem ser pais, padrastos, tios, avós, irmãos mais velhos ? seguidas por pessoas conhecidas da família. Os especialistas admitem que esse é um problema difícil, não só por assustar e chocar, mas por ser, a questão sexual, um tabu, encoberto pelo manto do silêncio. Entretanto, alertam que, para enfrentá-la, é preciso romper esse acobertamento. Seja quem for o agressor, o abuso sexual é um assunto de interesse público. Afinal, proteger a criança e o adolescente de toda forma de violência é uma responsabilidade do Estado, da família e da sociedade!

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