Opinião
A derrota do boi e a festa da vaquejada
Ambientalistas e todos aqueles que consideram essa atividade uma violência contra os animais foram derrotados, ontem, no Senado. Aquela Casa Legislativa aprovou a Proposta de Emenda à Constituição de nº 50, que muda o texto da Carta Magna para permitir a realização das vaquejadas. A PEC foi aprovada em dois turnos, e agora segue para a Câmara dos Deputados. A PEC 50/2016 muda o artigo 225 da Constituição, que trata do meio ambiente, para tirar dessa prática a característica de crueldade. Pelo texto aprovado pelos senadores, não serão consideradas cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais previstas na Constituição e registradas como patrimônio cultural brasileiro. Essa proposta foi apresentada em outubro do ano passado, logo depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional a lei 15.299, de 8 de janeiro de 2013, do Ceará. As vozes da sociedade contrárias a essa prática iniciaram então um movimento para que a decisão do STF valesse para todo o País. Tanto que, em muitos estados, inclusive em Alagoas, muitos eventos já programados tiveram que ser cancelados. Os partidários da prática, contudo, se mobilizaram para defendê-la, argumentando que a vaquejada é esporte, representar a cultura do povo nordestino e gera renda e emprego. Lembraram que a atividade tem normas regulamentadoras que garante a segurança dos animais. Para os ambientalistas, a vaquejada é uma prática abominável, ultrapassada. Eles contestam as técnicas de proteção, por entenderem que não existe uma forma de amenizar o sofrimento do boi e do cavalo durante uma vaquejada. Os danos mais comuns vão de escoriações de pele a fraturas de cauda, costelas e coluna. A vaquejada continua sendo uma questão polêmica, de posições conflitantes entre aqueles que exploram a atividade, e os defensores do respeito aos animais. Todavia, considerando parecer de especialistas sobre o quadro do animal após a vaquejada, vê-se que essa atividade nada teria de esporte e menos ainda de manifestação cultural. Seria uma prática que fere a Constituição e as leis ambientais. Não dá para ignorar que seus atores não consideram o que sentem os animais diante da violência da espora, do açoite, do agastamento, da perseguição.