Opinião
O milho, o presidente e a pobreza do NE
Uma ação positiva do governo federal vai garantir a liberação de cerca de 200 mil toneladas de milho dos estoques governamentais para os pequenos criadores do Nordeste. A venda será subsidiada para pequenos criadores e microagroindústrias de beneficiamento e produção de ração. Para se habilitar, o interessado precisa se cadastrar em uma das unidades operacionais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em Alagoas, a estatal tem unidades em Maceió, no bairro de Bebedouro, e em Palmeira dos Índios. Só que, ao fazer o lançamento do programa de distribuição, o presidente Michel Temer destacou a pobreza do povo nordestino. ?Este é um governo que está ao lado dos pobres do Nordeste e de todo Brasil? ? afirmou ele. Um discurso lamentável, já que reafirma o estereótipo de que a região Nordeste é sinônimo de seca, miséria e pobreza. Além de estimular preconceito e discriminação. O Nordeste tem atraso em seu desenvolvimento, é fato. Os efeitos da crise econômica são mais acentuados aqui, e deles resultam retração, desemprego, redução da produção industrial. Entretanto, os índices econômicos do Nordeste apontam desempenho positivo do setor industrial. Fomos a região do Brasil que mais cresceu até o início dessa crise, com ampliação nos níveis de industrialização e de desenvolvimento. Muitas indústrias deixaram a região Sudeste e se instalaram no Nordeste em busca de benefícios fiscais, provocando redução das taxas de emigração. A região Nordeste é a segunda maior do Brasil em produção de petróleo. Somos destaque na pecuária, agricultura e turismo. No final do ano passado, um relatório do Banco Central (BC) apontou início de estabilidade e uma possível retomada de crescimento da indústria na região. A economia do País começa a dar sinais de recuperação e o Nordeste segue essa tendência. Assim, é positivo o acesso de pequenos criadores e agroindústrias de pequeno porte às toneladas de milho em grãos distribuídas pela Conab. Mas a ação do governo federal em favor dos pobres do Nordeste pode se dar de forma mais ampla, como por exemplo retomando obras estruturantes, que estimulem o desenvolvimento de uma das mais valorosas regiões do Brasil. Quem sabe assim, na próxima vez, Michel Temer faz um discurso menos preconceituoso!