Opinião
SITUA��O CARCER�RIA
Algo que esteve em pauta na mídia este ano foi a difícil situação carcerária em nosso País. Já tinha ciência do que acontecia por meio de algumas reportagens às quais tive acesso, contudo, o assunto veio à tona com mais força pelos fatos tristes de chacinas e rebeliões que chocaram nosso povo. A discussão é ampla e, com o advento das mídias sociais, a opinião das pessoas pode ser melhor percebida. Muitos afirmam: ?bandido bom é bandido morto?, ?olha o que eles fizeram, então, foi merecido? e o ódio se instaura em nossa cultura de morte. Analisando projetos modelos de algumas prisões e sabendo do que a Igreja já fez e continua fazendo através da Associação de Proteção e Assistência Carcerária (Apac), acredito que o criminoso pode sim mudar a sua conduta, e tem o direito dessa possibilidade que não lhe poderíamos tolher. Ainda como jovem, acompanhei casos de criminosos que tiveram oportunidade de ajuda e mudaram completamente o seu caminho. Um deles vivia em uma região de alta periculosidade em Maceió e era envolvido com o tráfico de drogas. Disse-me que não era usuário, mas a facilidade de ganhar dinheiro com esta prática fez com que ele se afundasse nessa realidade. Com o apoio de um grupo cristão, a experiência com Deus e o contato com pessoas que tinham uma vida diferente no mesmo lugar onde ele habitava, fez com que seus conceitos fossem pouco a pouco mudados. Deixou aquela prática, constituiu família, engajou-se na Igreja e tive a felicidade de acolhê-lo como afilhado quando recebeu um de nossos sacramentos. Anos depois continua firme nessa nova vida. Também conheci ladrões e assassinos que tiveram suas histórias transformadas e dão testemunhos concretos, como por exemplo, um ex-membro do Comando Vermelho que hoje é um cantor católico famoso. Como humanizar o sistema carcerário? Quais as alternativas possíveis para quem deseja sair do mundo do crime? Estas e tantas outras perguntas permearam a mente de muitos que precisam dar respostas à sociedade. O contexto é complexo, e os governos nas suas diversas instâncias estão claramente perdidos em quais decisões tomar. O que particularmente posso afirmar é o fato de termos encontrado soluções e as estatísticas provam a eficácia dos métodos utilizados. Acredito que a Igreja Católica poderia ser mais ouvida nessa circunstância. Digo que com mais apoio poderíamos fazer melhor, e isso resultaria em benefício a todos.