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O PINTO BROXOU O ENTUSIASMO DOS FOLI�ES

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Chegou o carnaval, a maior festa popular que contamina de alegria este País. Com características tão brasileiras pela sua descontração, criatividade, até parece que nasceu brasileira. Muitos pensam assim, a nova geração talvez nem imagine que o embrião desse espetáculo veio de longe, lá das bandas da Europa, mais precisamente na Grécia. E daí foi invadindo Itália, França, até atravessar o atlântico e logo seduzir o nosso espírito festeiro. No Brasil, regionalizou-se pelos seus ritmos bem diferentes com muito frevo, em Pernambuco; trio elétrico arrastando multidões, na Bahia. O samba-enredo que encanta o mundo aliado à beleza estonteante das escolas no Rio e São Paulo. O carnaval motiva as pessoas a superarem seus próprios limites físicos e mentais. Deixam de lado introversões e vestem a fantasia de total descontração. Alguns se entregam tanto à folia que nem percebem que essa nova personalidade só vai durar algumas horas. O carnaval é isso, é uma explosão de prazer! É o melhor motivo para uma exposição de corpos nus, sensuais, provocantes, parecendo tentação do capeta na cabeça dos puritanos. É também no carnaval que afloram os maus espíritos que se alimentam da contagiante alegria de outros para vomitarem seus sentimentos enrustidos de perversidade. São os calhordas que só transcendem de felicidades quando veem o sofrimento alheio. São os que no meio da multidão provocam, insultam, batem, roubam e chegam ao extremo da violência. Vi muito isso nas prévias do último final de semana na orla de Maceió. Vi também a ação rigorosa, eficiente, necessariamente truculenta da polícia em alguns casos contra malfeitores infiltrados no meio dos que apenas queriam espaço para brincar em paz. Vi também, com tristeza, o imenso vazio deixado pela a ausência do Pinto da Madrugada e a saudade da galera pedindo a sua volta. A festa foi bonita, milhares de foliões levantaram poeira no asfalto. Mas nas prévias do domingo faltou aquele ?algo mais? que faz a grande diferença: a alegria contagiante do povo e das muitas orquestras de frevo que puxaram o maior e melhor bloco de todos os tempos nos últimos dezesseis anos. O Pinto broxou a alegria da avenida! Durante as especulações quanto a saída ou não do bloco este ano, as justificativas não ficaram muito claras. Falta de apoio financeiro? Divergências internas? Não importa, o certo é que o Pinto da Madrugada é o maior patrimônio da sociedade carnavalesca de Maceió no século XXI. Ao menor sintoma de gogo, tem que receber tratamento vip pelos melhores especialistas. O carnaval chegou. Com ele vamos carregar a mais eficiente das armas que é a consciência de que a folia acaba em três dias. Importante ter no coração as armas do amor, da compreensão e tolerância. Ficar juntos aos amigos, dar as mãos à família. A vida continua e muitos outros carnavais virão pela frente.

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