Opinião
O que h� de triste em 204 assassinatos
Em janeiro último, 204 pessoas foram assassinadas em Alagoas. O número é cerca de 32% maior que os registros do mesmo período do ano passado, que teve 155 mortes. Os números são oficiais, divulgados pela Secretaria de Segurança Pública, e mostram que 94,1% das vítimas são homens, com até 29 anos, e 5,9% mulheres. Esses dados remetem ao Atlas da Violência 2016, um estudo desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), segundo o qual uma em cada dez vítimas de violência letal no mundo, reside no Brasil. Realidade que eleva o país ao topo de uma estatística assustadora: aqui se registra o maior número absoluto de homicídios no mundo. O governo alagoano aponta a guerra entre facções criminosas, em disputa por territórios como causa desse aumento. E faz relação com os fatos nacionais do início do ano, quando foram registradas chacinas em presídios de três estados. Para as autoridades de segurança pública, há uma relação direta entre aqueles fatos e o aumento das estatísticas de homicídios, um problema que está ocorrendo em todo País. Avaliando que está diante de um novo desafio, o governo assegura que continuará combatendo a criminalidade. A sociedade reconhece que as forças policiais alagoanas têm recebido investimentos. Veículos, armamentos, coletes e outros recursos são disponibilizados com regularidade. Todavia, é preciso mais que a instrumentalização dos policiais. É preciso investir, por exemplo, em polícia comunitária, uma estratégia de resultados positivos, mas que tem sido desvalorizada, relegada a um plano secundário. Importante também é estabelecer uma política de integração com os municípios, onde a relação com as prefeituras ultrapasse ao mero pagamento da gasolina da viatura e da alimentação dos policiais. Não é simples falar de violência. Das desigualdades sociais ao tráfico de drogas, da violência policial à impunidade da Justiça, são muitos os fatores que devem ser considerados em qualquer análise, das superficiais, nas rodas de amigos e redes sociais, até as mais consistentes, sustentadas em estudos acadêmicos. Porém, não se pode negar que os índices de Alagoas, que continua aparecendo no ranking de assassinatos, com taxa de 63 homicídios por 100 mil habitantes, são, no mínimo, entristecedores.