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Opinião

A indig�ncia que se estende at� a morte

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Os dicionaristas definem indigente como ?que ou aquele que vive em indigência, sem condições de suprir suas próprias necessidades; miserável, necessitado, pobre?. Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estimava, em 2015, que o número de pessoas vivendo essa condição somava 101,8 mil brasileiros. Um problema social grave, que revela a sua face mais cruel diante da morte. Sim, é no momento em que morre uma pessoa em situação de rua, parcela expressiva delas sem qualquer documento de identificação, que o Estado se depara com uma das tantas dificuldades que marcam o cotidiano dos indigentes. Se, em vida, quem mora na rua tem seus direitos negados, na hora da morte essa pessoa, até então invisível, se torna um problema real. Resta enterrá-las em covas rasas, nos cemitérios públicos. Em Maceió, contudo, nem isso está sendo possível. Um impasse entre a Prefeitura e o Instituto Médico Legal Estácio de Lima (IML/Maceió) dá visibilidade à cruel indigência de muitos. O IML cobra do município de Maceió vagas em cemitérios públicos para enterrar corpos de indigentes. Para atender a essa demanda, a Prefeitura só vem conseguindo liberar dez covas por mês. Porém, o número é considerado insuficiente pelo Instituto, que alega alta demanda. A direção da Perícia Oficial de Alagoas afirma que faltaram ser adotadas providências para se fazer a exumação e transferência dos corpos para o ossuário, o que resultaria no surgimento de covas. E que não foram construídos locais para receber os ossos dos indigentes. Por seu turno, os gestores do IML ficam aguardando espaço nos cemitérios da capital, reclamando que o Instituto está abarrotado de corpos. Há tempos se reclama da falta de espaços para sepultamento em Maceió, e não é só para indigentes. Entretanto, as medidas até agora adotadas são insuficientes para regularizar a situação. Sepultar um corpo é ato importante para a memória individual e coletiva, além de um direito fundamental. Indigente ou não, a forma como se reverencia a pessoa que morre revela o comportamento da própria sociedade e seu cotidiano. Assim, espera-se que as diferenças entre gestores públicos e as dificuldades sejam superadas. Afinal, o indigente é humano. Merece respeito!

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