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CONCLAMA��O AO MINIST�RIO P�BLICO

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Durante cerca de quatro décadas tentei ? e continuo tentando ? ajudar o sertão ? região desprezada ? porque abrange cerca de cinquenta por cento da área territorial de Alagoas. Defendo o Canal do Sertão, que muitos pensam beneficiará terras que tenho por lá, e até um governador me perguntou o porquê de eu tanto me empenhar em sua defesa se não vou ser beneficiado. Cidadania, respondi-lhe! Sou diferente da maioria e penso no Estado como um todo. O Canal, ora em São José da Tapera, que demandaria quatro anos para implantação e salvação do sertão foi pactuado nos gabinetes para ser concluído em vinte, bandeira constante de várias eleições. Há décadas pesquiso o semiárido e opções de desenvolvimento, rodei muitos quilômetros sertão afora fazendo palestras técnicas, criando uma associação, e um sindicato rural que promoveu a única greve de vacas do Brasil, paralisando a bacia leiteira em busca de preço justo do leite, e de tudo me afastei porque entendi que a ?indústria da seca? é um cancro encrustado naquela região inculta. Hoje, sob o peso da idade, mas sem perder o idealismo, vejo tudo fenecer, o gado morrer, as águas secarem comprometendo a vida e a economia da região, o povo migrando, animais silvestres morrendo, macacos saindo de matas residuais em busca de água e comida, sem eu saber a quem apelar. A região está sob exaustão hídrica. Não há águas doces subterrâneas e Palmeira dos Índios vai entrar em colapso. Os carros-pipas são insuficientes. Águas de poços são salobras, algumas servem para animais, e mesmo assim a população as consome. Disso advêm as doenças futuras, derrames e infartos além de outras transmitidas por águas impróprias que matam crianças e velhos não contabilizados. Sim, isso é um desabafo! Alagoas está sob um desastre que requer decretar Estado de Calamidade Pública na busca de auxílio imediato da União para ações de socorro e recuperação. Não há mortos que justifiquem a calamidade, dizem, mas outros estados a decretaram por falta de dinheiro. Por que não fazemos o mesmo em defesa da vida e da economia regional? Não há impedimento! O motivo é outro! Conclamo o senhor procurador-geral de Justiça para que requeira de seus pares, nos diversos municípios, relatórios consubstanciados sobre o flagelo, que tome assento no Comitê da Seca e providências. O Ministério Público, guardião da sociedade, é fiscal, ouvidor e defensor do povo, digna missão que almejo ver cumprida. O sertão nada vale! O sertanejo é ingênuo e massa de manobras ? ?pão e circo? lhe calam, e assim morre ao deus-dará.

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