Opinião
A CIDADE DOS SAPOS
Criou-se hábito, no Brasil, de afirmar que o ano só começa após o carnaval. É um conceito deturpado que contamina um meio mundo de gente e estimula preguiça e acomodação durante dois meses. Contamina empregados e empresários que literalmente cruzam os braços esperando o bloco passar. Enquanto isso, o esforço para negócios é zero, nada funciona na cabeça deles. É óbvio que o mercado, principalmente o varejo, sofre um pequeno hiato de desaquecimento após a tradicional gastança de final de ano. Absolutamente normal. Mas as pessoas continuam consumindo, viajando em férias, a rede hoteleira está aquecida, bares e restaurantes vivem o ápice do seu faturamento, os shoppings estão lotados. São muitos empregos diretos e indiretos, a economia informal fica efervescente. O comércio de Maceió, que recebe centenas de turistas diariamente, não pode acomodar achando que nos sessenta dias que antecedem o carnaval o povo não compra. A propósito, esse é o período em que deveriam entrar em ação criatividade e determinação das entidades lojistas para de forma uníssona promover estratégias como liquidações, eventos que motivem consumo e estimulem o cliente. Paradoxalmente a essa mentalidade negativa para a economia, os meses de janeiro e fevereiro este ano foram surpreendentes para os que ficaram surdos aos gritos dos azarentos: ?O ano só começa depois do carnaval?. Mentira. Como empresário e publicitário permanentemente ligado à evolução dos negócios dos clientes da agência, vi com alegria uma resposta positiva para os varejistas que investiram com sabedoria na interação com o seu público-alvo. Vibrei com o entusiasmo dos atendimentos, mídias e criativo! Vi com otimismo o desempenho do mercado imobiliário pronto para disparar grandes projetos e a concretização de boas vendas justo na época que dizem o ano ainda não começou. Quando a construção civil sai da calmaria, os bons ventos sobram em direção a uma economia aquecida em qualquer tempo. Aliada ao turismo, a indústria da construção é mola propulsora do nosso desenvolvimento socioeconômico. A ladainha repetida há décadas de que o ano só começa depois do carnaval, faz-me lembrar da velha fábula de Monteiro Lobato: ?Certo dia, na cidade dos sapos, acontecia uma corrida cujo vencedor seria aquele que chegasse primeiro ao topo de uma montanha muito alta. A competição que mobilizou toda a região, contou com a participação de 10 sapos atletas. Ao dar a largada, os bichos que estavam assistindo à corrida começaram a gritar palavras desmotivadoras para os competidores: desistiam, vocês não vão conseguir, esta montanha é muito alta, o prêmio não vale o esforço. E assim, os sapos atletas iam desistindo, influenciados pela multidão. Apenas um chegou ao alto da colina. A cidade ficou incrédula! Perguntado por que não desistiu da competição com os gritos de desestimulo da sapaiada, a nenhuma pergunta ele respondeu?. Moral da história: era surdo. Compartilho essa historinha para dizer que às vezes é preciso ficar surdo contra o grito dos agourentos que não produzem e atrapalham.