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Opinião

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O presidente Michel Temer estará hoje na Paraíba para visitar obras da transposição do São Francisco e participar de uma cerimônia que marcará a chegada das águas do rio ao estado. O governo federal espera concluir ainda neste ano as obras do Eixo Norte, que já apresentam 94,52% de execução. A finalização desse trecho permitirá levar água até a região metropolitana de Fortaleza, beneficiando municípios no Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Num País acostumado a ser um cemitério de obras paradas, não deixa de ser algo a ser comemorado o fato de um projeto tão gigantesco começar a apresentar os primeiros resultados. O fato tem causado brigas entre Temer e o PT pela paternidade da obra, que tem grande impacto numa região onde a popularidade do atual ocupante do Planalto é muito baixa. Estudada desde a época do império no Brasil, a transposição foi iniciada em 2007, durante o segundo mandato do presidente Lula. Desde que foi anunciada, a obra tem sido alvo de grande polêmica. Afinal, trata-se da maior obra de infraestrutura hídrica do País, orçada em mais de R$ 8 bilhões, e figura entre as 50 maiores construções de infraestrutura em execução no mundo. Destaca-se por executar mais de 470 quilômetros de obra linear e consiste na transferência de águas do rio para abastecer pequenos rios e açudes da região Nordeste que possuem um deficit hídrico durante o período de estiagem. Os defensores lembram que a quantidade de água disponível por habitante no semiárido nordestino é menos da metade do que a ONU estabelece como mínima para a vida humana. Já os críticos acham que o maior problema da região é o mau uso da água existente e apontam diversos erros no projeto proposto, além de seu alto custo. Além disso, ressaltam que o rio vem sofrendo um contínuo processo de degradação ambiental, agravado pelos longos períodos de estiagem que reduzem ainda mais sua vazão. Não há dúvidas de que as águas da transposição vão trazer um alento para a região e, até pelo que já foi gasto, o projeto deve ser concluído. Entretanto, é preciso que a sociedade continue cobrando do governo o mesmo empenho para a revitalização do São Francisco, para que esse tão debilitado rio continue a garantir a vida no sertão nordestino, caso contrário não haverá o que transpor.

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