Opinião
Apelos urgentes
A Organização das Nações Unidas (ONU) voltou a alertar a comunidade internacional sobre a mais grave crise humanitária por que passa o mundo desde o fim da segunda guerra mundial, em 1945. Para a ONU, é urgente uma resposta global para evitar que 20 milhões de pessoas morram de fome em Iêmen, Sudão do Sul, Somália e o Nordeste da Nigéria, todos afetados por conflitos civis. O caso mais grave é o do Iêmen, onde o conflito entre forças xiitas e o governo sunita apoiado pela Arábia Saudita deixa dois terços da população ? mais de 18,8 milhões ? em necessidade de ajuda humanitária. Quase 1,4 milhão de crianças corre risco iminente de morte por desnutrição, em consequência das crises de fome que pairam sobre os quatro países. No nordeste da Nigéria, o número de crianças com casos severos de desnutrição deve chegar a até 450 mil neste ano. Já na Somália, as condições da seca ameaçam uma população já fragilizada por décadas de guerra civil no país. Somem-se a isso os milhões de pessoas que tiveram de deixar seus países por causa da guerra, como no caso da Síria. No ano passado, a Cúpula Humanitária Mundial reuniu, em Istambul, na Turquia, representantes das agências da ONU, dos países membros e de centenas de organizações não governamentais. Cerca de nove mil participantes de 173 países alertaram sobre o agravamento das crises atuais e fizeram fortes apelos para uma ação, a fim de evitar que a qualquer momento ocorra a explosão da ?bomba humanitária?. A lamentar o fato de que os países mais industrializados ficaram à margem dos debates e sabe-se perfeitamente que apenas palavras não bastam. É preciso recursos, num momento em que as Nações Unidas também vivem um período de penúria financeira. Em 2016, recebeu apenas 52% da verba que havia solicitado para sair ao socorro das populações pelo mundo. A atual assistência humanitária não é suficiente para atender de forma adequada nem reduzir de maneira sustentável as necessidades dos 130 milhões de pessoas vulneráveis. A comunidade internacional, principalmente aqueles países com maior poder econômico, precisa dar uma resposta mais rápida e efetiva, pois o tempo corre contra milhões de pessoas que lutam contra problemas causados em grande parte pela ação do próprio homem.