Opinião
OS MOVIMENTOS ART�STICOS NO MUNDO CONTEMPOR�NEO
A falta de unidade na produção artística brasileira dos últimos 70 anos determinou a ausência de movimentos em muitas gerações desse período. Os movimentos têm um papel filosófico importante, sobretudo nos debates, renovações ou experimentações propostas que levam a produção de uma nova escola, no sentido estilístico da palavra. Estas mobilizações no Brasil não produziram escolas, os artistas continuaram a criar suas obras de forma autônoma e sem discussão de um conceito fundamental coletivo. Muitos se engajaram em movimentos europeus como o próprio Cubismo, uma espécie de ?maneirismo? contemporâneo do qual participaram artistas como: Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Portinari e outros que desagregados do movimento europeu que unia Picasso, Braque, Gris, Láger e outros, estes artistas produziram suas obras, por assim dizer, à maneira cubista. Compreendemos que os movimentos são importantes para a arte contemporânea à medida que promovem o encontro de uma geração em torno de uma expressão de seu tempo. Não é, portanto, a discussão teórica e subjetiva, o processo, nem os neologismos advindos que criam ou batizam os movimentos, mas o produto como expressão coletiva desta geração. Razão pela qual, na maioria das chamadas escolas contemporâneas, há o envolvimento de uma geração que trilhou por determinada experimentação que resultou numa unidade coletiva. Isto não é representado apenas por teorias herméticas desenvolvidas com a bênção da academia, mas por uma obra pragmática, resultante da convivência empírica daquela geração. Não há, então escola alguma para fazer ninguém crítico de arte, é o exercício do conhecimento e da compreensão que faz o crítico, resultando assim a história da arte. Por isso, cada movimento deve ir além do verbo e trazer a lume uma obra com unidade, que seja o resultado das atividades do grupo. Os movimentos promovem ressonâncias que reverberam em outras regiões e até em outros países como é o caso da Street Art ou Arte Urbana, nascida nos EUA nos anos 1970, cujos reflexos são os Tromp l?oeil, as intervenções ou mesmo os grafites, que chegam a fazer parte da paisagem urbana de algumas cidades brasileiras, motivo de verdadeira guerra promovida pelo novo prefeito de São Paulo. Porém, o mundo atual não busca mais esta unidade e sim o diferencial, o fenomenal, extravagante, o paradoxal, independente do tema do Salão. A proposta inusitada do artista se torna bem mais importante e mais forte do que o produto. Não importa que no final da mostra a obra seja tratada apenas como refugo.