Opinião
MULHERES DO BRASIL: PAPEL E PARTICIPA��O ECON�MICA
A temática sobre o papel e a condição das mulheres na sociedade ocupa espaço cada vez maior nos meios de comunicação e fóruns de discussões. Com a ajuda de novas ferramentas, principalmente as mídias sociais, houve progressos na propagação das ideias sobre igualdade de gêneros, gerando tendências, mas há muito a avançar. Apesar disso, infelizmente, os indicadores continuam a mostrar violência crescente contra elas e a persistente dificuldade de alcançarem reconhecimento no mundo do trabalho, o que sempre faz do Dia Internacional da Mulher, para além das comemorações, um marco das reivindicações e dos protestos contra as disparidades. O 2º Estudo Mulheres no Mercado de Seguros no Brasil, da Escola Nacional de Seguros, confirma a ainda enorme distância de oportunidades entre os sexos no Brasil, o que não se difere de muitos países. Apesar de atrair grande número de profissionais femininas, o mercado de seguros nacional ? no qual, aliás, elas se tornaram maioria, hoje 56,3% ? se iguala, em determinados aspectos, a outros segmentos da economia, quando analisamos as chances de progressão profissional e a distribuição dos melhores salários: mulheres ainda levam boa desvantagem em relação aos homens. O debate sobre a situação feminina em face do machismo é sempre polêmico, mas requer reflexões sérias, sendo direito inalienável da mulher, em qualquer ambiente, defender suas posições. No Brasil, em meio ao clima de debates propiciado pelo cenário político, elas seguem protestando contra as diferenças e o cerceamento de seus direitos, embora, lamentavelmente, a reverberação dos atos ainda não ganhe os espaços mais nobres, se falamos em alcance de audiência. E são os números que dão a medida dessa prerrogativa e urgência: a probabilidade de um homem se tornar executivo no segmento de seguros, por exemplo, é quase 3,5 vezes maior do que a de uma mulher. Isso, apesar de todos os avanços e iniciativas de muitas empresas do setor para assegurar igualdade de oportunidades. Em remuneração, progressos também são pouco animadores, e no mundo. Na maioria dos países, mulheres ganham, em média, de 60% a 75% dos salários dos homens, por razões como terem maior responsabilidade pelo trabalho familiar, que não rende salário, envolverem-se mais em atividades de baixa remuneração média e assumirem menores riscos de carreira. Em amostra com 18 seguradoras brasileiras, com 85% a 90% do total de funcionários do setor, o salário médio é de R$ 4.520. Homens ganham por mês R$ 5.371, elas, R$ 3.858 ? ou seja, 72% da remuneração deles. Outro aspecto é a quarta jornada: vida profissional, cuidados domésticos, com os filhos e, cada vez mais, atenção aos idosos. É quando assumem a responsabilidade desproporcional do trabalho não remunerado. Dados das Nações Unidas apontam que, em relação aos homens, mulheres dedicam uma a três horas a mais por dia à casa e duas a dez vezes mais tempo para cuidar de crianças, idosos e doentes. Tão ocupadas que são, ainda conseguiram mudar o mundo.