loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
segunda-feira, 03/08/2026 | Ano | Nº 6280
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A DESCONHECIDA ALAGOAS

Ouvir
Compartilhar

Se os próprios alagoanos não conhecem a sua terra, imagina-se o que ocorre com o resto dos brasileiros. Alagoas já produziu ? e exportou ? feijão, milho e algodão no sertão e agreste, em maior quantidade do que São Paulo, e tinha doze fábricas de tecidos até a década de 1950. Competiam em riqueza com os engenhos de açúcar que evoluíram para cerca de trinta usinas hoje também decadentes, com raras exceções. Alagoas tem a forma de uma bota curta na qual o solado representa a praia, o costado, entre o salto e o topo do cano, o rio São Francisco; o cano, e o topo do sapato abrigam o agreste e sertão, o resto a zona da mata e litoral. Todas as águas têm origem atmosférica e se infiltram nos solos por meio de chuvas, formam nascentes e fluem nas calhas de rios, alguns, perenes alimentados por nascentes, outros temporários ? como os do sertão. No momento atual, os vinte e um açudes do DNOCS estão secos, assim como os particulares. Nas zonas sedimentares ? mata e litoral ? as águas de chuvas se infiltram formando o lençol freático, mas, no cano da bota, sob o solo raso, há um manto rochoso que impede essa acumulação, exceto em pequenas fraturas e cavernas. São salobras e salinas, e os poços perfurados as encontram em pequenos volumes até cerca de setenta metros de profundidade. Além daí pode-se perfurar quilômetros de rocha sem nenhum sucesso. De forma simplificada são essas as características dos aquíferos sertanejos. Quando cito as dificuldades hídricas do sertão me perguntam por que não perfurar poços; e sob os argumentos acima o porquê de não instalar dessalinizadores. A instalação de um sistema de dessalinização, envolvendo poço, bomba, máquina, tanques, e obras civis custa cerca de cento e trinta mil reais, e sob riscos de o poço secar. É uma opção pontual. Não há alternativas para o semiárido sem o Canal do Sertão que, insisto há décadas, deve ser acelerado. Na mata e litoral o problema está se agravando sem chuvas para recarga, os rios perenes e açudes estão secando, a irrigação de cana por canhões aspersores, ou pivôs estão retirando água do lençol freático, assim como as engarrafadoras de água, e empresas que as vendem a condomínios. Ao baixar o nível do freático há um desequilíbrio de pressões e a intrusão marinha é palpável podendo contaminar com sal a água potável de cidades litorâneas, Maceió no meio, o que já está ocorrendo em alguns poços. A única opção, nesse momento, seria tentar fazer chuva com aviões, o que salvou a cana em 1984. Nessas pinceladas alerto que os problemas da seca afetam todos os alagoanos.

Relacionadas