Opinião
Fonte finita
Comemorou-se ontem, em todo o mundo, o Dia da Água. A efeméride foi instituída pela Organização das Nações Unidas em 1992 ? durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, no Rio de Janeiro ?, diante da importância da água para a nossa sobrevivência e da necessidade urgente de manter esse recurso disponível. A crise ambiental e o aquecimento global são hoje talvez as mais graves ameaças à sobrevivência da raça humana no planeta. A poluição e o desperdício têm levado ao esgotamento de fontes potáveis de água doce e feito aumentar o número de populações sem acesso à principal fonte da vida na terra. Sabemos que a água é um recurso abundante, porém finito. Cerca de 70% da superfície terrestre é coberta por água, mas apenas 2,5 % desta água é doce, com potencial de consumo direto. Além disso, somente 1% está disponível ao homem. Nessa questão, o Brasil é privilegiado pois detém 12% de toda água doce potável do mundo, tanto em suas bacias hidrográficas quanto em seus aquíferos subterrâneos. Entretanto, enfrenta problemas típicos de uma sociedade em desenvolvimento: altos índices de captação para irrigação e custos de tratamento, má distribuição, poluição das fontes e, principalmente, baixos índices de saneamento básico. Além dos desmatamentos, da poluição e dos períodos de estiagem ? que vêm se tornando cada vez mais frequentes e longos ?, o grande vilão dos problemas hídricos é o desperdício. A população brasileira desperdiça até 45% de sua água, segundo informa a Organização Mundial de Saúde (OMS). De acordo com a ONU, o uso da água triplicou de 1950 para cá. Para o futuro, estima-se que nos próximos 20 anos o homem vai usar 40% a mais de água do que usa agora. É certo que, nos últimos anos, tem havido um processo de conscientização ecológica na sociedade e a compreensão de que é preciso usar os recursos naturais com parcimônia. Afinal, a ONU já alertou que, se não houver mudanças de hábitos no curto prazo, até 2030 quase metade da população global terá problemas de abastecimento ? sem contar as 768 milhões de pessoas que já não possuem acesso à água potável e podem ficar em situação ainda mais complicada. Ou seja: a questão é mais do que urgente.