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Opinião

Fragilidade

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Nos últimos dias, o País foi surpreendido com a mobilização maciça dos caminhoneiros, que, para protestar contra os sucessivos aumentos do preço do óleo diesel, bloquearam estradas e interromperam o transporte de mercadorias. Em pouco tempo, os efeitos do protesto começaram a ser sentidos sob a forma de desabastecimento generalizado. A situação de caos que se instalou no País também deixou bem claras as fragilidades do governo Temer para lidar com as crises. Há pelo menos uma semana, o Planalto foi alertado sobre o movimento preparado pela categoria, mas não deu a importância devida. Ressalte-se que a mobilização não teria alcançado tamanha dimensão sem o apoio das grandes e médias empresas transportadoras. Os caminhoneiros pressionam pela queda dos preços, e o Planalto se vê diante de uma encruzilhada, já que a solução proposta passa pela redução de impostos, algo que não agrada à equipe econômica. Para completar o imbróglio, há a pressão do Congresso, já que os parlamentares estão com olhos voltados para as eleições. Para especialista, uma das razões para a quebra da Petrobras durante o governo de Dilma Rousseff foi o congelamento de preços dos combustíveis para tentar conter a escalada na inflação. No governo Temer, os reajustes passaram a ser baseados na paridade com o mercado internacional e mais uma margem que será praticada para remunerar riscos inerentes à operação, como, por exemplo, volatilidade da taxa de câmbio e dos preços sobre estadias em portos, e lucro, além de tributos. A Petrobras dizia ainda que a nova política previa avaliações para revisões de preços pelo menos uma vez por mês. Na prática, as revisões de preços foram bem mais frequentes. Só em uma semana do mês de maio, por exemplo, foram cinco altas consecutivas em função da variação do preço do petróleo e derivados no mercado internacional e da variação da taxa cambial. No que diz respeito às questões de mercado, a mudança de metodologia foi uma decisão acertada e tornou a empresa mais competitiva. Entretanto, o governo parece ter esquecido das consequências dessa política para a economia popular. A disparada do preço do diesel, por exemplo, começou a inviabilizar o mais importante meio de transporte de mercadorias do País. E, assim, o governo Temer segue impopular, fraco e desnorteado a cada crise.

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