Opinião
A CIVILIZA��O DO ESPET�CULO
Um extravagante milionário, apresentador de talks shows noturnos da televisão norte-americana, Donald Trump, ganha as eleições com uma plataforma bizarra e populista, contra todas as estimativas dos cientistas políticos e governa tal qual propunha. No Brasil, Lula, igualmente populista e chefe do esquema criminoso que destruiu a economia brasileira e conseguiu enlamear ainda mais a corrupta política nacional, lidera as pesquisas para a campanha presidencial em 2018. Um esquema de burla na utilização de produtos vencidos e indevidos, envolvendo algumas fábricas de carnes e derivados, depois de uma longa investigação, é denunciado pela Polícia Federal de forma estrondosa, dando a impressão geral de que toda a carne que consumimos, do churrasquinho de gato da pracinha ao filé do restaurante mais requintado, é perigosa para a saúde. O governo e funcionários demitidos reclamam da maneira espetaculosa com a qual a questão foi explorada e contabilizam os prejuízos em milhões de dólares. Mario Vargas Llosa em sua obra ?A Civilização do Espetáculo? faz um estudo aprofundado sobre cultura e divertimento, que começa com o poeta T. S. Elliot que defendia a alta cultura das elites e rejeitava a ideia de que deveria ser democratizada, e passa por autores marxistas, como Guy Debord, que lamentava que na nossa sociedade a mercadoria atinge tal importância na vida das pessoas que se sobrepõe a qualquer outro interesse de ordem cultural, intelectual ou política. A cultura de massas teria como meta oferecer entretenimento, divertimento e dar prazer, pelo predomínio do som e da imagem sobre a palavra escrita, ou seja, pela vitória da tela sobre o texto. A distinção entre o preço e o valor do produto cultural se apagou, ambos são agora um só, tendo o primeiro absorvido e anulado o segundo. O único valor é o comercial. O bom é o que tem sucesso e é vendido, independente de sua qualidade. As preocupações de Vargas Llosa sobre a banalização das artes e da literatura, o triunfo do jornalismo sensacionalista e a frivolidade da política são sintomas de um mal maior que afeta a sociedade contemporânea: a ideia temerária de converter em bem supremo a nossa natural propensão para nos divertirmos. O momento nacional exige muito equilíbrio, persistência e correção para que ações como a Lava Jato possam ser conduzidas pelas autoridades e apoiadas pela sociedade no sentido de terem consequências consolidadas na Legislação, nos seus desdobramentos futuros e não somente pelo estrago imediato que possam causar aos políticos e empresários corruptos.