Opinião
Velha receita
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, revelou na quinta-feira que o governo deverá apelar para a velha receita de elevar impostos como forma de cumprir a meta fiscal. Segundo ele, parte do rombo de mais de R$ 58 bilhões previstos para este ano será coberta pela elevação de tributos já existentes. Alguns economistas apostam que isso se dará na Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) ? dos combustíveis ? e na recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, famigerada CPMF. O anúncio, é claro, teve a proeza de desagradar a gregos e troianos e provocou reação imediata da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, que promete trazer de volta o pato inflável amarelo? usado em protestos anteriores. Aparentemente, o governo avaliou mal as contas deste ano e, agora, percebeu que terá de rever sua estimativa inicial. Até mesmo a projeção do PIB para este ano já foi revista e caiu de 1% para 0,5%, ou seja, teremos mais um ?pibinho?, apesar de alguns analistas haverem previsto no ano passado que bastaria a saída da presidente Dilma para a economia deslanchar outra vez. Não há dúvidas de que aumento de impostos num momento de estagnação só vai retardar a recuperação econômica. É preciso lembrar que o País já arrecada cerca de R$ 2 trilhões em impostos, o que torna descabido recorrer a novas altas, mesmo que sejam ?temporárias?, como a equipe econômica quer nos fazer crer. Afinal, historicamente, no Brasil basta só um passo para o temporário virar permanente. É preciso que o governo elimine gastos desnecessários, busque mais receitas extraordinárias, persiga a eficiência, além de combater o desperdício e a corrupção. Neste momento, o que o País necessita é de redução de juros, destravamento do crédito e melhor gestão governamental. É fundamental também promover uma reforma tributária. O Brasil necessita de um sistema tributário mais moderno e simples, que acabe com o emaranhado de normas que regulam o recolhimento e freiam o empreendedorismo. Além disso, dever ter como bússola a justiça tributária, que tire das costas do trabalhador o peso maior e distribua melhor a carga. Enquanto o sistema não for reformado, continuamos cada vez mais sufocados por essa carga pesada.