Opinião
O ANTIGO REGIME CONTRA-ATACA
Confesso que não fui a nenhuma das manifestações depois de 2013. Apesar de concordar com o óbvio, que o País estava se encaminhando para o desastre fiscal com a administração petista, receava pelo que poderia advir depois. Dois temores me deixaram em casa durante os protestos que derrubaram a presidente (a). Primeiro, achava importante que a bomba estourasse nas mãos dos responsáveis pela sua armação. Era uma lição que tínhamos que aprender como nação. Em 2018 veremos se Dilma ficou tempo suficiente no cargo ou se a coalizão de esquerda conseguirá emplacar a tese de que a crise foi consequência do golpe (?golpe?). Minha maior preocupação, contudo, era a de levar ao centro do poder um grupo de políticos que pareciam as pessoas erradas na hora errada. Como conta a histórica na Itália, após grandes operações anticorrupção como a Mãos Limpas, o País pode retroceder e se tornar pior que antes se a reação dos políticos na defesa do antigo regime for bem-sucedida. Como bem aprendemos com o deputado Sérgio Moraes, existem alguns (muitos?) congressistas brasileiros que estão se lixando para opinião popular. Eles o podem fazer, mesmo em um sistema democrático, porque se elegem através de assistencialismo e compra de votos em rincões pobres e iletrados. Esses carreiristas, que conseguem conjugar inúmeras participações em escândalos com incontáveis reeleições, são a mão de obra perfeita para aprovar as leis espúrias que blindariam o velho sistema a qualquer forma de contraposição, seja pelo voto ou pela atuação da Justiça. Partidos como o PT e o PSDB, com aspirações a presidência e dependentes do voto das massas mais esclarecidas das capitais, não conseguiriam enfiar na nossa goela coisas como voto em lista fechada e anistia ao caixa 2. A coalizão do centrão liderada pelo novo governo, se quiser, consegue. As manifestações do último domingo eram as mais importantes de todas, mas como não tinham uma pauta sedutora, foram um fracasso. As reformas de Temer funcionaram magicamente como fator de desmobilização da direita e desviou perfeitamente o foco da esquerda para longe do que interessa. Se os deputados e senadores aprovarem as maldades que tanto querem, o presidente deverá fazer um malandro veto simbólico. Aí o Brasil terá novamente a chance de ir às ruas para evitar a derrubada do veto. Decidiremos então se mudaremos para melhor ou para pior. Não haverá meio-termo.