Opinião
O RISCO DE VIVER MAIS
A população brasileira anda preocupada e com razão. Segundo o IBGE, passamos de uma expectativa de vida, ao nascer, de 53 anos, em 1970, para 75, em 2015. Porém, o aumento do deficit fiscal e a forte recessão econômica dos últimos anos transformaram o que deveria ser motivo de comemoração ? o aumento da longevidade ? em sentimento de insegurança financeira quanto ao futuro. Sob o peso desses fatores, o sistema previdenciário público se tornou pouco viável, pois implica despesas crescentes sem contrapartida de receitas em igual expansão. O reequilíbrio desta conta envolve medidas pouco palatáveis e sentidas, como a redução do volume de aposentadorias e pensões ou a obrigação de trabalhar ? e contribuir ? por mais tempo, ou ainda uma combinação de ambas. Há a alternativa da previdência complementar aberta em que o contribuinte pode formar patrimônio ? a partir de um sistema de acumulação com benefícios fiscais ? e garantir o reforço de renda à aposentadoria estatal na fase de inatividade. Contudo, é opção para os que têm capacidade de poupar, e aí reside o cerne da questão: implica mudança de hábitos, processo geralmente lento. Mas pode ocorrer em ambientes instáveis, principalmente diante do risco de queda significativa de padrões de vida. A crescente arrecadação à previdência privada aberta indica essa tendência, ou seja, o brasileiro está se tornando mais consciente da necessidade de ser proativo quanto à aposentadoria. De fato, as contribuições a tais planos de previdência passaram de R$ 19 bilhões, em 2004 (0,9% do PIB), para R$ 84 bilhões, em 2014 (1,5% do PIB). Mesmo no ambiente recessivo, a arrecadação teve forte crescimento real (por cima da inflação) de 8,5%, em 2015 sobre 2014, e de 8,1%, em 2016 ante 2015 (até novembro). Recursos captados pela previdência privada aberta, a de livre escolha dos participantes, constituíam valores irrisórios nos anos 90. Hoje, representam o dobro dos destinados à previdência privada fechada ? fundos de pensão de empresas e organizações. Não optar pelo reforço propiciado pela previdência complementar é uma aposta arriscada, até para os participantes dos regimes próprios e generosos do setor público, em comparação com o regime geral ? INSS. Isto porque todos estão no barco estatal, e a garoa que se aproxima bem pode virar procela com respingos generalizados. Mas se a decisão for recorrer à previdência privada aberta, é fundamental se informar. O participante deve entender seu perfil de risco, que determina o tipo de fundo previdenciário a ser escolhido, e estar preparado para manter a aplicação em longo prazo, pois só assim é que maturam os ganhos decorrentes dos benefícios fiscais. Portanto, não se deve fazer tal aplicação se a intenção é mexer no dinheiro meses depois. Infelizmente, nem sempre tais regras são seguidas. Então, é como diz o ditado: ?ouça a voz da experiência?. Na dúvida sobre como lidar com seu dinheiro e as normas vigentes, recorra a quem sabe. Afinal, diz outra máxima, ?seguro morreu de velho?.