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A taxa de desemprego no Brasil atingiu 13,2% no trimestre encerrado em fevereiro, de acordo com dados do IBGE divulgados nessa sexta-feira. É a maior taxa de desocupação no País da série histórica do indicador iniciada em 2012. No total, 13,5 milhões de pessoas se encontram em busca de um emprego. Embora fosse esperado, o dado se soma a outros indicadores fracos, que obrigaram o governo de Michel Temer a revisar para baixo suas previsões de crescimento em 2017, de um inicial 1% a apenas 0,5%. No início da semana, Temer chegou a comemorar o anúncio de que as contratações do setor privado formal registraram em fevereiro o primeiro aumento líquido (+35.600 postos) desde março de 2015. No entanto, no trimestre dezembro-fevereiro, o número de funcionários do setor formal caiu um 1% trimestral e 3,3% ao ano, totalizando 33,7 milhões de pessoas, de uma força de trabalho de 89,3 milhões de pessoas. Os números mostram que, apesar do otimismo do governo e das expectativas de recuperação da economia brasileira estarem um pouco melhores do que no ano passado, nestes primeiros meses de 2017 ainda não há uma sinalização concreta do fim da crise em curto prazo. Analistas calculam, por exemplo, que o desemprego vai continuar piorando e pode chegar até 14% no terceiro trimestre. Desde a crise financeira internacional de 2008, a economia brasileira se tornou muito mais dependente do consumo doméstico do que muitas outras economias emergentes. Entretanto, atualmente a renda familiar está caindo e as condições de crédito se apertaram. Muitas famílias enfrentam um longo período de aperto financeiro, e o volume de dívidas vencidas continua em níveis historicamente elevados. O investimento público também está debilitado, e o investimento privado depende de expectativas em relação à economia do País, por isso está parado. Apesar de o atual governo ter uma base parlamentar bem mais sólida do que a ex-presidente Dilma, o Planalto enfrenta resistências para aprovar projetos que considera cruciais, como a reforma da Previdência. Diante desse cenário, tudo leva a crer que a recuperação econômica brasileira deverá ser mais longa e lenta do que o esperado. O País precisa voltar a ter expectativa em relação ao futuro. Talvez seja isso aquilo que mais nos faz falta hoje.

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