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Opinião

BRILHO INSUPORT�VEL

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DOM FERNANDO IÓRIO * Diz uma lenda, entre tantas que semeiam o universo literário, que houve por bem monstruosa serpente perseguir o pequenino vaga-lume. Qual o porquê dessa perseguição? Tê-lo como alimento? Evidentemente, não. Era tão sem tamanho! Legítima defesa? Certamente, não. Não tinha o vaga-lume, durante a noite, sossego algum. Era cintilar nas trevas, e, de logo, traiçoeiro bote acontecia. Escondeu-se o vaga-lume e tentou importante diálogo com a serpente: - por que você me persegue? Por que quer devorar-me? Que mal lhe fiz? ? Nenhum mal você me fez, vaidoso vaga-lume. ? Eu quero devorá-lo, porque não suporto ver você brilhar. Seu brilho me incomoda. Sete bilhões, ou mais, de pessoas no mundo. Quantas vivem frustradas, porque os outros crescem, vencem na vida e têm o semblante repleto de felicidades!... A sociedade é competitiva e consumista. O ser humano, entretanto, deve ser aberto para o outro, a ponto de participar das lágrimas e do riso, da alegria e da tristeza, dos fracassos e das vitórias dos outros. Incomodar-se com a vitória dos semelhantes é rebaixar-se à inveja, ao ciúme, ao egoísmo. Não suportar o crescimento do outro é diminuir-se pela postura fria, distante, tristonha, mal-humorada e, às vezes, ameaçadora. Incomodar-se com o brilho dos outros é querer estar sempre no pódio, como vencedor de todas as etapas e modalidades de lutas e de empreendimentos. Não suportar a vitória dos outros é negar parcerias, é isolar-se, é morrer sozinho, na egolatria do próprio adorar-se, é encastelar-se na pequenez dos rancores, das parcialidades mesquinhas que ferem o equilíbrio psíquico. com é tranqüilo quem compartilha da felicidade dos outros, quem se solidariza com o outro, a ponto de declarar: sinto em mim a vitória do meu amigo, sorrio com ele, agradeço com ele. Educar minha felicidade para abraçar a felicidade do outro é prevenir contra a violência da serpente, à procura de devorar o vaga-lume porque não podia suportar o seu brilho nas trevas da noite. Escribas, fariseus e casta sacerdotal não podiam suportar o brilho deJesus. O Mestre incomodava pela sua palavra vibrante, pelos seus portentos, pela sua postura, pela vitória sobre a doença, pelo poder de dominara a natureza, de imperar sobre as forças do mal, de restabelecer a vida aos mortos. Quando o povo presenciava as maravilhas operadas por Jesus de Nazaré ? exclamava, admirado: - ninguém até hoje fez o que este homem realiza. Ou clamava, como o centurião: - verdadeiramente, este homem é o Filho de Deus. Para os que não suportam o brilho de Jesus, podemos sintetizar a expressão de Chollet: ?O ideal de Cristo se condensa numa palavra: ?Perfeição?. (*) É ARCEBISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS

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