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Opinião

� DURO ENGOLIR

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Ulysses Guimarães, o mais probo de todos os homens públicos da história do Congresso Nacional, entre tantas frases inesquecíveis pronunciadas em suas brilhantes oratórias, uma delas foi: ?A única coisa que mete medo em político é o povo na rua?. Anos depois da então oportuna afirmação, nos paira uma dúvida. Será que o mestre dos mestres da política estava certo? Nos últimos anos o povo está nas ruas do Brasil clamando pelo fim da roubalheira desenfreada e incontrolável corrupção contra os órgãos públicos. Nas ruas, multidões protestam querendo justiça, cobram punição aos infratores que insistem em repetirem as falcatruas na primeira oportunidade que lhes aparece à sua frente. Não temem mais o povo nas ruas e nem se sabe mais quem é merecedor da confiança da sociedade. Pode-se dizer categoricamente que chegamos ao fundo do poço. O mau exemplo da propina vai muito além dos parlamentares, autoridades mais delatadas e execradas do momento. Por enquanto não dá para medir o quanto ganhamos com a revolta e os protestos das ruas até agora. Provocado a fazer uma avaliação sobre o parlamento dos anos oitenta, época em que era deputado e Presidente da Câmara, o Dr. Ulysses profetizou: ?O pior ainda está por vir?. Estava ele coberto de razão em sua profecia. A missão constitucional do Poder Legislativo é defender e representar o povo brasileiro na elaboração de leis e fiscalizar os atos da Administração Pública. É regrinha básica da democracia para promover o desenvolvimento nacional. Mas como, se no congresso e nas assembleias tem um monte de parlamentares correndo da polícia? Há até quem diga que o parlamento está se transformando no pior inimigo do País. Lamentável se ouvir isso! Assim como é horroroso saber que tribunais de contas de estados que deveriam cumprir sua função fundamental de fiscalização contábil, financeira e orçamentária, tenham quase que a totalidade dos seus conselheiros presos por fraude, desvio de recursos e propinas, como é o caso do Rio Janeiro. Admitamos que nem tudo está perdido, claro que não. O que vivia na escuridão das cafuas do poder tornou-se público. A sociedade brasileira está muito mais informada e consciente até chegar a hora de decidir entre o joio e trigo. Nunca é demais lembrar que Alagoas volta às páginas de polícia da mídia nacional por reincidência de velhos e conhecidos pecados. É para isso que existe um regime democrático com plena liberdade de imprensa para informar ao seu povo com respeito, verdade e ética acima de tudo.

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