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Terceiriza��o e a crise no Pa�s

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A livre negociação entre patrões e empregados deixou de ser um mito. Agora uma realidade objetiva, esse modelo se materializou em definitivo na última sexta-feira, 31, quando o presidente da República, Michel Temer, sancionou o projeto que permite a contratação de serviço terceirizado em qualquer tipo de atividade de uma empresa. Os empresários têm motivos para comemorar, sentindo-se agora mais seguros para investir. Os defensores da terceirização acreditam que a mudança fará o Brasil elevar seu nível de competitividade, e vencer a cultura de demonização do patronato. Já o movimento sindical reage, acusando o parlamento e o governo de cortar conquistas históricas do trabalhador. Os sindicalistas entendem que, ao aprovar o Projeto de Lei 4.302/1998, no dia 22 de março último, a Câmara dos Deputados acentuou a precarização do trabalho. Na visão do empregador, entretanto, a terceirização vai assegurar a sobrevivência das empresas. ?A economia será revitalizada e o País voltará a crescer com segurança e de forma sustentável?, aposta o professor Gabriel Rossi, especialista em marketing. Na sua argumentação, o especialista diz que a sociedade precisa entender que a mudança no modelo de contratação de mão de obra é uma resposta à crise que o País enfrenta. Como argumento mais forte, o professor diz que o movimento sindical distorce o conceito de terceirização, temendo perder parte de seu poder com a diminuição do vínculo com o trabalhador. O movimento sindical acha que a terceirização se mostrará um equívoco. Para Murilo Celso Pinheiro, presidente do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, por exemplo, é difícil que o projeto se sustente da forma como foi concebido, referindo-se à situação dos trabalhadores. É difícil dizer quem está certo nesse embate. Há necessidade de ajustar e bem administrar as contas públicas. Mas é preciso avaliar se os problemas que emperram nossa economia serão resolvidos apenas com a terceirização. Está certo o governo quando adota uma política de austeridade. Porém é necessário analisar se para se obter o equilíbrio das contas públicas não se deve buscar também outras alternativas. Uma reforma que faça justiça tributária, por exemplo, também poderia ajudar o País a gerar empregos e financiar um modelo de contínuo crescimento.

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