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CULTURA, PRA QUE DINHEIRO?

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Não só pelo dinheiro curto para oxigenar a cultura, os editais em 2017 são pés de cobra. Estão raros e cada vez mais complicados para concorrer. Empresas importantes que todos os anos, em data tradicional lançavam editais, estão sumidas. O próprio Ministério da Cultura desde o ano passado fechou as torneiras para o setor. E nesta lista estão também os concursos literários e muitas outras modalidades. Assim, quem possui convênio assinado deve usar os recursos com parcimônia. As ações culturais e sociais, apesar de tão importantes para promover transformações na sociedade, não representam a prioridade dos governos, sobretudo em época de crise econômica. E embora a cultura seja uma espécie de cenário no teatro político, este pano de fundo é esquecido, geralmente, quando a festa acaba. Explica-se, muito bem, a forma criteriosa como o governo de Alagoas vem tratando a festa dos 200 anos da Emancipação, pontuada por lançamentos de livros, ações singelas, bem diferente do perverso show do ?Maceió Capital Mundial da Cultura?, que quando acabou foi só aquela noite e o resto do ano nada mais aconteceu. Será bem mais proveitoso se pudermos daqui a alguns anos mostrar o produto do 16 de setembro de 2017 para uma nova geração de alagoanos, ao invés de torrar o dinheiro numa grande festa. Por isso, num País onde quando a ?farinha é pouca o meu pirão vem primeiro?, precisamos cada vez mais democratizar as oportunidades, para que o trabalho cultural e social nas comunidades sejam perenes e possuam vínculo de solidariedade com seus coordenadores, irmanados pelo amor às artes e à cultura. Trabalho que os Pontos de Cultura, em nome dos governos, realizam com mais eficiência do que a máquina pública, porque são uma ponte com cada comunidade. É o Ponto de Cultura que conhece suas demandas e, contrariando o conceito cristão, ninguém vai aos filhos sem ser pelos pais. Os pais são os grandes parceiros de nossos projetos e precisam estar motivados. Esta é a razão por que trabalhar com cultura significa viver de olhos abertos ao humor da economia, às publicações de editais, à indiferença do governo federal e alterações nas leis de incentivo ao setor e, finalmente, nunca achar que o fim de vigência do seu convênio é o fim do seu projeto. Dessa forma, creio que as nossas metas, não são aquelas que escrevemos no convênio, mas aquelas que só enxergamos no futuro quando reencontramos a criança que trabalhamos feito um homem.

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