Opinião
Nota baixa
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, o PNAD, mostram que o Brasil ainda tem cerca de 2,5 milhões de crianças e adolescentes de 4 e 17 anos fora da escola. O montante representa cerca de 6% do universo total de alunos. O que mais preocupa é o fato de que essas crianças que estão longe da sala de aula em geral são as mais pobres, as que moram em locais mais distantes ou aquelas que têm algum tipo de deficiência. As mudanças que aconteceram nos últimos 20 anos nas políticas públicas de Educação do País contribuíram para que cada vez mais crianças tivessem acesso à escola. Em 1998, 87,5% das crianças do Brasil estavam na escola. No Nordeste, essa taxa era de 25%. A expansão do acesso ao ensino começou na década de 1960, quando o governo passou a dar mais importância à expansão da rede pública. Hoje, a faixa de 6 a 14 anos é tida como universalizada, atualmente 98,5% estão na escola. Entretanto, os maiores avanços foram registrados entre brancos, ricos e moradores da cidade. Ou seja, ainda não conseguiu atingir satisfatoriamente aqueles que mais precisam da educação para superar a exclusão e a pobreza. Além da população em situação de extrema vulnerabilidade social, crianças indígenas, com deficiências, quilombolas, ribeirinhas e da zona rural também fazem parte do grupo que segue excluído do sistema de ensino. Para esse grupo, são necessárias políticas específicas que deem conta de suas demandas e peculiaridades. Ações como a criação de mais escolas nas zonas rurais, garantia de transporte escolar e adequação do ano letivo à realidade local ajudam a trazer essas crianças para o ensino . Além disso, se, de um lado, o Brasil atingiu a meta de universalizar o Ensino Fundamental, ainda perde alunos no Ensino Médio, não conseguiu expandir devidamente a educação infantil e mantém 13 milhões de analfabetos acima dos 15 anos de idade. A qualidade do ensino, a evasão do aluno no Ensino Médio e a alfabetização de adultos ainda são os grandes desafios para a educação brasileira. Apesar da redução nos índices de repetência no Brasil, a aprovação na escola não veio seguida de melhora na qualidade do ensino. Nesse quesito, nossa nota ainda é baixa e é preciso muito esforço do poder público para mudar esse quadro.