Opinião
Ruas perigosas
De acordo com a lista divulgada ontem pela ONG mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal, o Brasil possui 19 municípios no ranking das 50 cidades mais violentas do mundo em 2016. Na décima posição no ranking, Natal é a cidade mais violenta do País, com 69,56 homicídios por 100 mil habitantes. O município é seguido por Belém e Aracaju. Maceió, que em outras eras ocupava o topo da lista, aparece agora em 25º lugar. Segundo a ONG, os níveis de violência na América Latina não são uma surpresa e refletem a impunidade. No Brasil, ela atinge 92% dos homicídios, na Venezuela, El Salvador e, em Honduras, chega a 95%. A lista da ONG é baseada no número de homicídios por 100 mil habitantes e analisa municípios com mais de 300 mil habitantes. A violência urbana é um dos mais sérios problemas brasileiros nas últimas décadas. Segundo o Atlas da Violência 2016, o Brasil atingiu a marca recorde de 59.627 mil homicídios em 2014, uma alta de 21,9% em comparação aos 48.909 óbitos registrados em 2003. A média de 29,1 para cada grupo de 100 mil habitantes também foi a maior já registrada na história do País, e representa uma alta de 10% em comparação à média de 26,5 registrada em 2004. A pesquisa revelou ainda que jovens negros e com baixa escolaridade são as principais vítimas. No mundo, os homicídios representam cerca de 10% de todas as mortes no mundo, e, em números absolutos, o Brasil lidera a lista desse tipo de crime. O nível de escolaridade é um fator determinante para se identificar os grupos mais suscetíveis às mortes por homicídio. Um jovem de 21 anos, idade de pico das mortes por homicídios, e com menos de sete anos de estudo, tem 16,9 vezes mais chances de ter uma morte violenta do aquele que chega ao ensino superior. A situação socioeconômica é outro fator determinante para o risco de morte. As chances de jovens pretos e pardos, que representam a maior parte da população pobre no Brasil, morrerem por homicídios são 147% maiores do que de jovens de outros grupos étnicos. Para reduzir esses números, não basta apenas usar a força policial, mas também é fundamental investir em políticas públicas que evitem que os jovens se envolvam com a criminalidade.