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Na Semana passada, o Ministério da Educação divulgou a terceira versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que uniformiza as disciplinas que farão parte da grade de ensino das redes pública e privada, isto é, determina o que os alunos aprendem em cada etapa da trajetória escolar. Um dos principais pontos é a antecipação da alfabetização das crianças. O BNCC estabelece que, até o 2º ano do Ensino Fundamental, os estudantes obrigatoriamente deverão ser capazes de ler e escrever. Além disso, estatística e probabilidade entram como disciplinas obrigatórias, e o ensino da História passa a ser considerado somente de acordo com a cronologia dos fatos. O documento, como era de esperar, gerou discussões e algumas polêmicas, como a supressão geral da promoção de igualdade de ?identidade de gênero? e ?orientação sexual? dos objetivos educacionais. O ponto que diz respeito à alfabetização, por exemplo, divide pais e professores. Segundo os especialistas, apesar de ser mais recorrente entre seis e sete anos, não há um momento exato ou ideal para que a criança crie as primeiras conexões com a palavra escrita. Além disso, a nova Base desconsideraria a complexidade do processo de apreensão da linguagem, já que o processo de alfabetização é longo e deve respeitar o ritmo de cada criança. Não há dúvidas, porém, de que o esforço do poder público pela alfabetização das crianças deve ser uma política a ser sempre perseguida. Não apenas isso, é preciso minimizar as desigualdades que ocorrem com as crianças de diferentes classes sociais em relação à educação. Dados do movimento Todos pela Educação revelam que a alfabetização entre as crianças mais ricas é seis vezes maior que entre pobres. Entre as crianças que pertencem a camadas mais pobres da população, apenas 45,4% têm o nível adequado, estabelecido pelo MEC em leitura. O Brasil deve garantir às crianças e aos jovens o direito à educação de qualidade. É preciso termos crianças plenamente alfabetizadas, capazes de ler e interpretar textos. Para que isso ocorra, entretanto, não é suficiente que conste em documentos oficiais. É necessário garantir as condições, investindo na formação de professores, melhoria na estrutura das escolas e na valorização dos docentes. Caso contrário, a meta não passará de letra morta.

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