loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O QUE MUDOU NO CONSUMO DOS OVOS DE P�SCOA?

Ouvir
Compartilhar

Nos últimos anos, o comércio de ovos de Páscoa não tem se mostrado tão satisfatório quanto antigamente. Dados do Serasa apontam que, em 2016, a queda nas vendas durante a semana que antecedeu o feriado foi de 9,6%, em relação ao ano anterior (2015), o que correspondeu ao pior desempenho em dez anos. Ao analisarmos essa queda, não podemos nos prender somente ao problema da atual conjuntura econômica do País, mas é preciso avaliar também os fatores demográficos e culturais. Há dez anos, a pirâmide etária contava com mais jovens e crianças, a grande fatia de consumo no período da Páscoa. Atualmente, a maior parte da população é adulta ? os mesmos jovens de dez anos atrás. E a população jovem, uma geração mais preocupada com a saúde, não consome mais a mesma quantidade de chocolate, hábito que se dá devido a aspectos culturais ligados à diminuição do consumo de açúcar. No entanto, analisando de forma ainda mais pontual, vemos que um grande influenciador do consumo do chocolate na Páscoa pode ser o aspecto qualitativo. Cada vez menos a quantidade é o atributo principal - e outras característica, como inovação no formato, nos sabores, na embalagem e em novos componentes, agregam na procura e chamam a atenção do consumidor. Não é a toa que as grandes fabricantes têm apostado em marcas tradicionais ? que são seus carros chefes ?, em ovos com caixas de som, e no relançamento de antigos chocolates, ?queridinhos? do público que hoje é adulto. Para termos uma ideia, 42,5% das vendas, em valor, dos ovos de Páscoa são acompanhados de brinquedos - o que indica que quem mais movimenta esta data ainda é a criançada (e que nem sempre o chocolate é o fator principal). Analisando, portanto, o mesmo aspecto qualitativo, a famosa ?gourmetização? chegou também nesse nicho de mercado. Hoje, o crescimento na demanda dos profissionais da área de confeitaria, e até mesmo de autônomos que se aventuram em criações nessa época do ano, é imensa. O que acontece é que esses profissionais acabam aproveitando uma nova onda, apostando na originalidade e fugindo da ?massificação? imposta pela indústria dos ovos de páscoa, mordendo, assim, uma parte da fatia de grandes indústrias. A grande verdade é que mesmo com queda nas vendas, maior a cada ano, a tradição de compra e venda dos ovos de Páscoa está longe de desaparecer. Com isso, apenas podemos concluir que a Páscoa deve continuar sendo doce, porém, não tão rentável como antigamente.

Relacionadas