Opinião
Ecos da Paix�o
Cristãos do mundo todo relembram hoje um dos episódios mais marcantes da história humana: a morte de Jesus. De acordo com o relato bíblico, por volta do ano 30 de nossa era, o jovem profeta da região da Galileia, após uma tramoia engendrada pelos líderes religiosos da época, foi preso, acusado, examinado, sentenciado e executado publicamente, por meio da crucificação, considerada a forma mais humilhante de punição, aplicada a escravos rebeldes, criminosos violentos e subversivos políticos. Ainda segundo a Bíblia, no terceiro dia ele ressuscitou dos mortos. À época da Paixão de Cristo, sob o domínio romano, a Judeia vivia um contexto de efervescência social e política. Muitos judeus não aceitavam submeter-se a Roma, nem pagar seus impostos. Parte do povo mantinha a esperança na vinda de um Messias, capaz de governar os judeus sem interferência estrangeira. Entretanto, a comunidade judaica não era unânime. Havia grupos que se acomodaram à situação, mas havia também aqueles, como os zelotes, que reagiam à dominação romana apelando para o uso da força. Um pequeno grupo reconheceu em Jesus o Messias predito pelos profetas, embora não como um líder político e militar, e passou difundir sua mensagem, primeiramente entre os próprios judeus. Mais tarde, com a entrada em cena do culto Paulo de Tarso, outrora perseguidor dos cristãos, o evangelho é levado também aos gentios e se expande de forma exponencial, alterando toda a história humana dali para a frente. O fato é que não se pode pensar a cultura ocidental sem a história do cristianismo. Ele a permeou em todos os campos, desde o estritamente religioso até o político, passando pelo artístico, apesar de alguns aspectos negativos. Sua influência perpassa a arte, a linguagem, a política, a lei, a vida familiar, as datas no calendário, a música e a forma de pensar. Não há como negar, porém, que o cristianismo entrou em declínio nas últimas décadas e uma parte considerável da população ocidental já não se declara cristã ou já não frequenta regularmente alguma igreja. Vive-se hoje num mundo cada vez mais secularizado e pagão, em crise de valores Entretanto a mensagem de Jesus e seus ensinamentos, que podem ser sintetizados no mandamento maior de amor ao próximo, continuam a inspirar muitas pessoas pelo mundo afora.