Opinião
A GUERREIRA PARTIU...
Ao Som de ?Caminhando e Cantando?, foi sepultada no dia 11 deste mês de abril a Madre Zely Perdigão Lopes, antiga diretora da Escola de Serviço Social Padre Anchieta, de Alagoas. Sua vida foi assim, caminhando, sempre alegre cantando, de braços dados aos irmãos que socialmente não discriminava, sem esperar, fazendo a hora, inovando e fazendo acontecer. Nas várias áreas de convivência e atuação como na Congregação das Irmãs Missionárias, no interior da igreja Católica, na Escola de Serviço Social, nos trabalhos comunitários em União dos Palmares, na Escola de Ministérios e outras Pastorais, tinha sempre a certeza na frente, com propostas inovadoras, e a história na mão, comprometida e engajada num novo projeto de sociedade. Madre Zely aprendia e constantemente nos ensinava uma nova lição. Irradiando alegria, inteligente, comunicativa, era firme nos seus propósitos, enfrentando os poderosos e conservadores tanto no âmbito religioso quanto no econômico e politico. Combativa, sem perder o espírito acolhedor, a cordialidade e a ternura. Foi uma líder, uma pioneira. Na Escola de Serviço Social Pe. Anchieta, quando chegou na década de 60, provocou inúmeras mudanças. Fez uma revolução tanto nos costumes quanto no compromisso social. Abriu as portas da Escola, onde acolhia mesmo no período da ditadura militar o movimento universitário, secundarista, e todos os outros movimentos sociais que lutavam pelos direitos humanos, princípios democráticos, igualdade e justiça social. Na Escola de Serviço Social transitavam livremente jovens universitários, estudantes secundaristas, membros de movimentos religiosos e pessoas ligadas Movimento de Educação de Base, Sindicatos Rurais, Educação Popular entre outros segmentos, pautados na Teologia da Libertação. Também inovou na área dos costumes. O corpo discente da Escola de Serviço Social era predominantemente feminino, oriundo de uma conservadora educação que formava as mulheres para papéis secundários e submissos. Madre Zely imprimiu uma nova prática educativa com a visão emancipatória da mulher na sociedade. Acho que foi uma das pioneiras no avanço do movimento feminino ao defender a luta contra qualquer opressão e discriminação. A formação profissional do assistente social era baseada na formação da consciência crítica, na visão humanizadora, na competência técnica e política. A ideia era de formar profissionais competentes, mulheres fortes, questionadoras, conscientes do seu papel, não subalternas ao poder de qualquer natureza. Acredito que existem pessoas que vêm ao mundo com qualidades especiais, com uma visão profética, vendo mais longe, anunciando o novo. Assim foi Madre Zely, uma líder carismática cuja vida foi marcante e significativa e desempenhou um importante papel na sociedade. Agora, com sua missão bem desempenhada, pode descansar em paz com a certeza de que seus projetos e ideais serão continuados por todos aqueles que tiveram a grata oportunidade de sua convivência.