Opinião
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No final de março, o governo federal, ao perceber que não conseguiria cumprir a meta de deficit primário para 2017, anunciou cortes no orçamento de todos os ministérios, com exceção da pasta da Saúde. No caso do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), a restrição atingiu 44% do orçamento para 2017. Com isso, o valor é o menor que a área vai dispor em 12 anos. Para a comunidade científica, os cortes prejudicarão a pesquisa e o desenvolvimento nas próximas décadas e é mais um golpe no setor. Os investimentos em Ciência e Tecnologia vêm caindo desde o início da crise brasileira, em 2014. Antes, em 2013, o valor chegou perto de R$ 7 bilhões e se retraiu até pouco mais de R$ 4 bilhões em 2016. Com uma verba remanescente de R$ 2,8 bilhões, o orçamento de 2017 é menos da metade de todo o dinheiro investido em 2010, sem a correção da inflação. Com uma agravante: agora, a verba é dividida entre Ciência e Tecnologia e Comunicações. Ou seja, o valor destinado para a ciência brasileira é hoje menos de um terço do que havia disponível há sete anos. Segundo os especialistas, um corte dessa magnitude desencadeia um efeito dominó na produção científica do País. Sem receita para pagamento de bolsas a pesquisadores, eles tendem a procurar alternativas em outros países ou migrarem para empregos técnicos na iniciativa privada, deixando estudos e projetos inacabados. Em longo prazo, o corte terá efeitos em inovação dos centros universitários e também das empresas, que perderão competitividade em relação a concorrentes de outros países. O Brasil fica entre os 13 países com maior produção científica, mas ocupa o 47º lugar em inovação, pesquisa e desenvolvimento. O Estado é o principal investidor em pesquisa e desenvolvimento no País. O Brasil reúne as condições para se tornar uma nação de economia forte puxada pelas empresas inovadoras. Para impulsionar o desenvolvimento tecnológico é preciso, entre outros pontos, avançar na aproximação entre empresas e academia; investir na formação de mão de obra qualificada e traçar uma estratégia mais clara de investimento. É preciso que o País se posicione melhor no setor de inovações científicas e tecnológicas. Se continuar relegando essa área, ficará cada vez mais em desvantagem no cenário internacional.