loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Um pa�s em eterna constru��o

Ouvir
Compartilhar

Neste sábado, 22, comemoram-se os 517 anos da chegada dos portugueses às terras que viriam a se chamar Brasil. De acordo com a história oficial, foi no território onde está localizado atualmente o município baiano de Porto Seguro que a esquadra portuguesa comandada por Pedro Álvares Cabral desembarcou pela primeira vez por estas bandas. Alguns pesquisadores, entretanto, questionam o fato e apontam outros dois pois possíveis locais do desembarque: o Cabo de São Roque, no Rio Grande do Norte, e o litoral de Coruripe, em Alagoas. Falta, porém, um estudo aprofundado para esclarecer a questão. De lá pra cá, o Brasil tem sido um país em eterna construção, com avanços e retrocessos, caracterizados por grandes contrastes. Em 1974, o economista Edmar Bacha cunhou o texto ?Belíndia? para ilustrar o alto grau de desigualdade do País. Éramos uma Bélgica (muito rica) cercada pela Índia (muito pobre). Nesses mais de 40 anos, a desigualdade recuou, os indicadores sociais melhoraram, mas não em níveis aceitáveis. Os dois brasis ainda convivem. Um olhar para nosso processo histórico ajuda a entender a questão. Até 1808, ano da chegada da corte portuguesa, não existia unidade no Brasil nem um sentimento de nacionalidade e de patriotismo; tampouco existia unidade em relação às questões territoriais. No território colonial brasileiro havia vários núcleos coloniais sem unidade política e econômica. Alguns desses núcleos se comunicavam diretamente com a metrópole em Lisboa, sem nenhuma comunicação feita com a sede da colônia no Rio de Janeiro. Esse sentimento de nacionalidade só começou a surgir com a independência, ainda que de forma insípida. No século XX, o País experimentou um rápido crescimento econômico e uma industrialização acelerada, mas esse desenvolvimento foi desigual, pois aprofundou as desigualdades regionais. Politicamente, convivemos com períodos ditatoriais entrecortados por breves pausas democráticas. Há pouco mais de 30 anos, porém, a democracia foi restabelecida, mas os desafios continuam. No momento atual, o Brasil atravessa um dos períodos mais conturbados de sua história, e a população parece não ver saída em curto e médio prazos. Espera-se, porém, que, após esse turbilhão, emerja um novo país, mais forte e capaz de romper com velhas e nocivas práticas.

Relacionadas