Opinião
A GRA�A QUE COMOVE E NOS MOVE
Neste ano das comemorações dos 500 anos da Reforma religiosa desencadeada por Martinho Lutero, na Alemanha, em 1517, compartilho uma reflexão de como Lutero entendia e dava a máxima importância ao tema ?Graça de Deus?. Na sua 1ª Tese sobre as indulgências, Lutero escreveu: ?Quando nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo disse: ?Arrependei-vos?, ele quis dizer que toda a vida dos fiéis deve ser um constante arrependimento?. Ninguém pode justificar-se a si mesmo diante de Deus. Ninguém pode confiar em seus esforços ou méritos, para obter o perdão. Pois todos pecaram e estão destituídos de santidade e justiça própria. Podemos, apenas, confiar na graça de Deus em Cristo Jesus. Escreve o apóstolo Paulo: ?Onde reinou e abundou o pecado que leva à morte, superabundou a Graça de Deus, que por meio de Cristo nos justifica e leva à vida eterna.? Ou seja: enquanto no pecado ? vivemos na terra da miséria e da maldição. Em Cristo, vivemos na terra da graça e da promissão. Deus é nosso refúgio e fortaleza. Socorro bem presente nas tribulações. Se dissermos que não temos pecado, a nós mesmos nos enganamos e a verdade não está em nós. Mas se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda a injustiça. Deus nos ama e nos aceita não porque somos inocentes. Nós somos gravemente culpados. Mas ele nos aceita por meio de Cristo, que é justo, santo e inocente. Lutero demonstra sua profunda confiança na Graça de Deus, num hino composto por ele, em que, baseado no Salmo 130, diz: Das profundezas clamo, ó Deus: escuta os meus gemidos. Dos céus inclina aos brados meus, gracioso, os teus ouvidos. Se tu quisesses atentar em todo o nosso imenso errar, estaríamos perdidos. Só tua graça poderá salvar-nos dos pecados, o nosso esforço em vão será, inúteis os cuidados. Não há de que nos ufanar, devendo em teu amor andar, quais pobres agraciados. E se os pecados muitos são, em Deus mais graça temos; não tem limites seu perdão, sempre o receberemos. Somente é ele o bom Pastor e de Israel o Salvador, em quem perdão teremos. Na Tese de n.º 36 Lutero escreveu: ?Qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem direito à remissão plena de pena e culpa, mesmo sem carta de indulgência?. A esse respeito escreve Morris West, em seu livro ?Advogado do Diabo?: ?A graça divina é concedida, e não obtida por merecimento! Concedida a mendigos, e não comprada com a vontade.? Tal graça não só nos comove mas igualmente e intensamente nos move a viver e agir segundo a mesma, amando com o coração de Jesus. Não é só uma questão de receber e aguardar a bem-aventurança eterna, mas viver essa nova dimensão da vida, segundo o coração e a imagem de Deus. Vida sob a Graça. Vida nova. Nova humanidade.