Opinião
O PESO DA OPINI�O P�BLICA
Na clássica definição de Ph. D. Chesteferfield: ?Os políticos não conhecem nem o ódio, nem o amor. São conduzidos pelo interesse e não pelo sentimento?. Faltaria acrescentar que são conduzidos principalmente pela perspectiva de ganhar votos na próxima eleição, e, se der, amealhar patrimônio. É o que se constata nas dificuldades previstas para o governo aprovar a reforma da Previdência. Distantes da crudelíssima realidade dos eleitores que os elegeram, em seu calvário diário à procura de postos de saúde, de exames médicos, de hospitalizações, a cada dia mais inacessíveis pelo SUS. Como também alheios à criminalidade em sua escalada nos grandes centros e no interior do país, enquanto a polícia demonstra sua incapacidade de as conter minimamente. Na educação, as faculdades públicas vêm reduzidos os seus orçamentos, precarizam ainda mais as suas combalidas atividades, onde os formandos saem a cada ano menos preparados para o exigente mercado. Esse modus operandi contamina até o Supremo, ainda depositário de esperanças nacionais (mais pela atuação no Mensalão e menos por suas enigmáticas posturas políticas atuais), onde constata--se a intenção de alguns ministros de soltar Zé Dirceu, utilizando o argumento de estar condenado somente em 1ª instância e em prisão preventiva, como assim estão milhares de brasileiros, que permanecem presos e que, se somados todos os seus crimes, não ultrapassam a dilapidação que o Zé, sozinho, causou aos cofres públicos nacionais. Todavia, foi a perspectiva do mesmo STF legislar sobre o Foro Privilegiado que, surpreendentemente, aprovou na CCJ um razoável projeto do senador Randolfe Rodrigues sobre o tema. Também, na mesma sessão, se conseguiu modificar e tornar aceitável o radical projeto de Abuso de Autoridade, do senador Requião. E. Burke escreveu: ?É um erro popular muito comum o de acreditar que aqueles que fazem mais barulho ao se lamentar a favor do público sejam os mais preocupados com seu bem-estar?. O Congresso continua o mesmo, a opinião pública, cuja participação tem sido fundamental e decisiva nesse processo de equilíbrio mínimo entre os interesses dos políticos e o da sociedade, precisa permanecer atenta, vigilante e, sobretudo, participante, para que não seja enganada novamente. Como se constatou nessa greve geral marcada para o dia 28, os que a lideram são os mesmos que destruíram a economia brasileira, deixando 14 milhões de desempregados. Essa é a turma do quanto pior, melhor. Irresponsáveis e inconsequentes. A opinião pública brasileira está de olho neles.