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Procuram-se vagas

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No início deste ano, um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) alertava para o aumento do desemprego em nível global. Para a OIT, o mundo enfrenta hoje um desafio duplo: reparar os danos causados pela crise econômica e social mundial e criar empregos de qualidade para as dezenas de milhões de pessoas que entram no mercado de trabalho a cada ano. No cenário internacional, o crescimento econômico segue ainda em níveis abaixo dos esperados. A persistência de altos níveis de formas vulneráveis de emprego, associadas a uma falta de avanços na qualidade dos empregos, é algo alarmante, segundo a organização. O relatório da OIT mostra que as formas vulneráveis de trabalho ? como trabalhadores familiares não remunerados e trabalhadores por conta própria ? devem constituir mais de 42% da ocupação total, ou seja, 1,4 bilhão de pessoas em todo o mundo em 2017. Nos países emergentes, quase um em cada dois trabalhadores se insere num emprego vulnerável. No caso do Brasil, após um período de grande expansão de vagas, a crise econômica aos poucos foi destruindo todo esse avanço, ceifando impiedosamente o número de vagas. Último levantamento do IBGE aponta a existência de mais de 14 milhões de desempregados no País. Em meio à grave crise do emprego no Brasil, o governo tenta, a todo custo, aprovar uma reforma trabalhista que prevê a alteração de mais de 100 pontos da CLT. O argumento do Planalto é que a atual legislação está ultrapassada e é um empecilho para a geração de postos de trabalho. A principal inspiração do governo Temer é a reforma aprovada há cinco anos na Espanha, em condições muito parecidas com as vividas pelo Brasil agora. O governo espanhol a considera um sucesso pela queda nas taxas de desemprego, mas seus críticos afirmam que os novos empregos são muito precários e que a reforma trouxe uma queda generalizada dos salários, com o aumento da desigualdade social. Esse é o temor das entidades que representam os trabalhadores no Brasil. É temerária, portanto, uma reforma trabalhista feita a toque de caixa, sem debates. Para combater o desemprego, a OIT recomenda um esforço coordenado para oferecer estímulos fiscais e um aumento do investimento público. Ou seja, o combate ao desemprego passa necessariamente pelo crescimento econômico.

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