Opinião
DIREITA, VOLVER!
Após a derrota nas eleições municipais, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad cravou que a disputa presidencial em 2018 no Brasil se dará entre a direita e a extrema-direita. A sentença do petista será sempre difícil de se comprovar em terras brasileiras, onde ideologias e programas partidários dançam conforme o toque da conveniência. No entanto, a tendência mundial ao menos aponta para uma derrota da esquerda. A direita e a extrema-direita deram o tom da disputa na Holanda, quando o conservador Mark Rutte venceu o xenófobo Geert Wilders. Nos Estados Unidos, o atual presidente Donald Trump flerta com a extrema-direita após derrotar uma direita quase centrista de Hillary Clinton. E, no próximo domingo, será a vez da França escolher entre um candidato ex-banqueiro e autodenominado centrista, Emanuel Macron, e a autodeclarada extrema-direita Marine Le Pen. Nesses três casos, todos ocorridos num intervalo de seis meses, vemos algumas semelhanças. Wilders, Trump e Le Pen querem estrangeiros fora de seus países, propuseram um fortalecimento do patriotismo e se apoiaram nos índices crescentes de desemprego para conquistar a simpatia de uma parcela significativa da população ? algo inimaginável 10 anos atrás. No Brasil, não temos o problema da imigração como nesses três países desenvolvidos. E nossas tentativas de nacionalismo sempre foram esporádicas e ao mesmo tempo trágicas, rememorando as décadas de 30 e a ditadura militar. Porém, a divulgação da pesquisa DataFolha de domingo mostra que a chama desta extrema-direita está bem acesa para 15% da população, que declaram voto em Jair Bolsonaro. A tendência ainda é de subida. Os temas brasileiros e de outras partes do mundo se encontram quando se fala novamente de trabalho, combate à corrupção e à violência. Vale lembrar que nacionalismo e combate ao desemprego foram a tônica do partido de Adolf Hitler para ganhar cerca de 230 cadeiras no parlamento alemão no início da década de 1930 ? o que não garantiu ao então futuro ?fuhrer? a imediata presidência germânica, mas abriu caminho para ela. Para Bolsonaro em 2018, as pesquisas apontam para uma derrota fácil em várias situações de segundo turno: de Lula a Marina Silva. Mas ele não precisa necessariamente da conquista do posto presidencial. Ele pode obter outras coisas mais perigosas que cargo. De todo modo, assim como na França do próximo domingo, no Brasil de hoje talvez nos reste torcer, infelizmente, pelo ?Direita, Volver!? tão simbólico para os militares. O medo para nós brasileiros é a vitória do ?Extrema-direita, volver!?.