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Livre e plural

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Celebrou-se ontem, em diversos países, o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A efeméride foi declarada pela Organização das Nações Unidas em 1991. A iniciativa de promover essa data partiu da Unesco ? órgão das Nações Unidas para a ciência, a educação e a cultura ? que, por meio de um artigo chamado ?Promoção da Liberdade de Imprensa no Mundo?, afirmava que imprensa livre, pluralista e independente é um componente essencial para a sociedade democrática. A ONU lembra que, em muitos países, os jornalistas não têm a liberdade de expressar o que pensam e os que ousam fazer isso sofrem com ameaças, sequestros e até mesmo correm risco de vida. Recentemente, o Brasil ficou na 103ª posição no ranking mundial de liberdade de imprensa, divulgado no mês passado pela ONG Repórteres Sem Fronteiras. No relatório, a organização afirma que o Brasil continua sendo um dos países mais violentos da América Latina para a prática do jornalismo. Há também outro aspecto a considerar. Como expressou a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, o mundo vive hoje um momento em que uma mídia livre, independente e pluralista nunca foi tão importante. O advento das mídias sociais ? cujo impacto ainda está sendo sentido e mensurado pelo jornalismo tradicional ? por um lado facilitou enormemente o acesso à informação, mas, por outro, ajudou também a disseminar notícias falsas e distorcidas. Em 2016, por exemplo, a Palavra do Ano eleita pelos Dicionários Oxford foi ?pós-verdade?. Trata-se de circunstância em que crenças pessoais têm mais importância do que os fatos objetivos. Por isso, mais do que nunca, a necessidade de um jornalismo original, crítico e bem fundamentado, orientado por padrões profissionais e éticos. Como diz o próprio tema escolhido pela Unesco para celebrar a data este ano, precisamos de ?mentes críticas para tempos críticos?. Ainda segundo Irina, a mídia deve ser não apenas uma fonte de informações confiáveis ? ela deve fornecer uma plataforma para uma multidão de vozes e mobilizar novas forças para a tolerância e o diálogo. Não há dúvida de que uma imprensa livre permite avançar na promoção da paz e da justiça social. Nas palavras de Rui Barbosa, a palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade, por isso aborrece tanto os Estados arbitrários.

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