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Opinião

80 ANOS DE BONDADE

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Milton Hênio Netto de Gouveia, o médico mais amado de Alagoas, acaba de completar os seus 80 anos, 54 dos quais dedicados ao exercício ininterrupto da pediatria. Fui um dos seus milhares de pacientes, nos anos 70, e quase três décadas depois tive a ventura de entregar aos seus cuidados o meu filho, quando pude testemunhar, em inúmeras oportunidades, o desvelo, o carinho e a gentileza com que ele trata cada um dos pequenos que chegam às suas mãos, a todos atendendo com a generosidade de um verdadeiro pai. E não somente as crianças são destinatárias desse seu tratamento especial: também as famílias aflitas encontram no conhecidíssimo consultório do Parque Gonçalves Lêdo o bálsamo para as suas angústias e preocupações, o amparo emocional que nem sempre lhes é ofertado nos momentos de enfermidade de um ente querido. Numa época em que a medicina é praticada por tantos que pouco se importam com o ser humano que necessita dos seus conhecimentos científicos, num tempo em que muitos médicos realizam uma consulta sem sequer tocar no doente ou nem mesmo tirar os olhos do seu prontuário, saber que existe entre nós o Dr. Milton Hênio é, sem exagero algum de retórica, um verdadeiro sopro de esperança para todos nós. Por isso é que correm em busca do seu socorro pessoas de todos os municípios de Alagoas; por isso é que vem para Maceió tanta gente de Pernambuco, de Sergipe e da Paraíba; por isso é que o velho médico trabalha todos os dias, nos dois horários, quando já poderia estar descansando em casa ou passeando com D. Myrza, seus filhos, netos e bisnetos, razão maior dos seus afetos: porque Milton Hênio ama o que faz, e põe muito desse amor em cada gesto brincalhão, em cada palavra alegre, em cada conselho sábio que distribui cotidianamente, sem cansaço, sem enfado, sem impaciência. Semanas atrás, o coração do Dr. Milton Hênio pregou-nos um susto, levando-o à UTI de um hospital. Era coisa pouca, que foi resolvida sem nenhuma intervenção cirúrgica e logo o devolveu à lida de sempre. Mas os dias em que ele passou ausente do nosso convívio, o pavor de não tê-lo ao alcance do nosso telefonema ou da nossa visita, serviram para evidenciar quanta falta ele faria se deixasse de clinicar. A quantidade de missas rezadas, de terços recitados, de cultos celebrados e de sessões espíritas realizadas em favor da sua recuperação certamente congestionaram os céus com tantas orações, mostrando ao nosso bom Deus que, dentre os presentes dados por Ele a Alagoas nesses 200 anos, a existência de Milton Hênio é um dos que mais justificam a nossa imensa gratidão.

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