Opinião
Em defesa do mundo
Os governos de várias nações devem, urgentemente, substituir as disposições para os conflitos armados, justamente quando se agravam as crises políticas e problemas econômicos sociais no planeta de há muito carente de paz e prosperidade, por lutas voltadas para o enfrentamento destes e outros desafios representados pela fome, a miséria, a violência e a falta de água potável no mundo. Este último, por exemplo, já atinge mais de 1,1 bilhão de pessoas ? mais de um sexto da população mundial, e como bem advertiu, esta semana, o presidente da Unidade de Pesquisa Nacional de Água do Egito, Mona El Kiody, no 3o Fórum Mundial da Água, em Kyoto no Japão, cria um ambiente desumano que leva à frustração e, a partir daí, ao terrorismo. ?Um ambiente que não oferece condições básicas de vida é a pior experiência que o ser humano pode ter. Ele fica sem água e sem saneamento básico?, disse Kody. Na mesma ocasião, ele apontou os estados árabes com os que mais sofrem com o problema. O Oriente Médio tem acesso a apenas 1% da água potável disponível no mundo, que precisa ser compartilhada pelo correspondente a 5% de seus habitantes. Segundo a Folha On-line, que trouxe estas informações, a situação na região faz com que as disputas pela água sejam acirradas. E especialistas presentes em Kyoto garantem que essa situação tende a piorar. Além do consumo per capita de água ser o menor do mundo, muitos países árabes já não têm mais como desenvolver suas fontes. Para os organizadores do evento, que levou cerca de 10 mil delegados de 150 países ao Japão, mas foi ofuscado pela crise no Iraque, os temas nele discutidos terão mais impactos sobre a humanidade neste século do que os atuais acontecimentos no Oriente Médio. A afirmativa deve ter sido baseada nos dados do relatório mais recente da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). De acordo com eles, até 2050, quando 9,3 bilhões de pessoas devem habitar a Terra, entre 2 bilhões e 7 bilhões de pessoas não terão acesso à água de qualidade, seja em casa, seja em comunidade. A diferença entre esses extremos depende das medidas adotadas pelos governos. Daí, vermos como das mais louváveis as realizações de discussões como as do Fórum de Kyoto, e outras, inclusive em nosso Estado, nesta Semana da Água, como parte das comemorações do Dia Internacional da Água Doce, que transcorre depois de amanhã.