Opinião
Ainda a incerteza
Há exatamente um ano, Michel Temer assumiu interinamente a Presidência da República, durante o tumultuado processo de impeachment de Dilma Rousseff. Em seu primeiro discurso, Temer afirmou que seu principal desafio era estancar o processo de queda livre da atividade econômica e melhorar o ambiente de negócios do setor privado, para produzir mais e gerar mais emprego e renda. Doze meses depois, entretanto, ainda não há sinais muito claros de que o País está se recuperando. Segundo o IBGE, o Brasil tem atualmente 14 milhões de desempregados, o equivalente a 13,7% dos trabalhadores. Trata-se de um índice recorde, que mostra que falta demanda econômica para estimular a criação de vagas. A produção industrial caiu 1,8% em março em relação ao mês anterior e mantém desempenho fraco desde o início do ano. Outro dado negativo e a queda de 3,6% do PIB no ano passado e o recuo de 1,6% na taxa de investimentos registrada no último trimestre. Há, porém, aluns fatos positivos, como a queda as taxas de inflação. O aumento do IPCA em abril foi de 0,14%, o mais baixo para esse mês do ano desde 1994. A expectativa é de que a inflação de 2017 se manhã dentro da meta de 4,5%. Mesmo assim, não deve ser motivo de euforia, pois os economistas dizem que o fato de os preços não estarem subindo tanto se deve à recessão. Também se deve destacar a queda da taxa básica de juros, que está atualmente em 11,25% e pode despencar para 8,5% até o final do ano. O efeito dessa queda, porém, só costuma ser sentido em médio e longo prazos. Se, no campo econômico, os resultados são pífios, não se pode dizer o mesmo em relação ao campo político. Temer consolidou uma base aliada no Congresso e, apesar de alguns reveses, tem conseguido avanços em seu polêmico e impopular pacote de reformas, que prevê mudanças radicais na legislação previdenciária e trabalhista, como forma de acalmar os ânimos do mercado financeiro e atrair investimentos. A demora na melhora dos índices econômicos e as reformas se refletem nos índices de avaliação do governo. Na última pesquisa Ibope, 73% dos entrevistados disseram desaprovar a maneira de Temer governa. Ou seja, um ano depois, o brasileiro ainda não vê luz no fim do túnel.