Opinião
O FIM DA ESCOLA SEM FIM
As raízes mais remotas da escola, tal como nós a conhecemos hoje, estão depositadas na Grécia Antiga, especialmente referenciadas, ao redor do século IV a.C., na Academia de Platão e no Liceu de Aristóteles. A escola nasce com o objetivo de formar os futuros dirigentes de Atenas, indo além dos sofistas, à medida que estabelecia um espaço comum permanente, frequentado de forma regular por mestres e discípulos, atores fixados no mesmo objetivo de repassar e receber conhecimentos. Passados quase dois milênios e meio, essa escola viria a atingir seu apogeu na fase mais madura da revolução industrial no século XX, onde a demanda em grande escala por mão de obra especializada foi atendida com enorme competência e maestria. Nesses milênios, educação foi favorecida pelo surgimento do livro moderno no século XV, pela consolidação do método científico no século XVII, pela máquina a vapor e outras tecnologias no século seguinte e, especialmente, pela Revolução Industrial nos tempos que se seguiram. Os níveis extremos de compatibilidade e de pertinência das organizações educacionais, incluindo as metodologias e os modelos de gestão escolares adotados, fizeram delas das mais bem-sucedidas e respeitadas instituições do mundo moderno. Foi dentro dos seus muros que foram gerados os conhecimentos que resultaram no aumento da expectativa de vida e, principalmente, produziram as condições para a grande revolução decorrente das tecnologias digitais, as quais estão a transformar, num processo ainda em curso, o mundo contemporâneo. A escola tem cumprido várias funções, entre elas, a de ser o espaço de transmissão de conhecimento, formando cidadãos que dominam certos conteúdos e profissionais habilitados a determinadas técnicas e procedimentos específicos. Todas as instituições e setores contemporâneos estão sendo e serão profundamente afetados pelas tecnologias digitais, em especial a escola, dado que a marca dos novos tempos é a emergência de uma sociedade na qual a informação está plenamente disponível, imediatamente acessível e essencialmente gratuita. Assim, as instituições educacionais demandam ser especialmente reconceptualizadas. Elas devem ser repensadas à luz de um cenário onde mais relevante do o que foi aprendido é aprimorar a capacidade de aprender a aprender. Aprendemos, a partir de agora, dentro e fora da escola, a qualquer tempo e por qualquer meio e o fazemos, principalmente, como meio de ampliar nossa consciência acerca dos mecanismos segundo os quais ampliamos nossa capacidade de aprender a aprender. A escola que marcava suas etapas pelos diplomas e certificados dá espaço a um novo conceito onde as etapas correspondentes, da creche ao pós-doutorado, se caracterizam essencialmente pelos níveis diversos da capacidade de aprender continuamente em um mundo de educação permanente ao longo da vida. Há uma essência perene nas funções da escola e do professor, mas certamente ela não está em seus prédios ou nos modelos de gestão, tampouco nas atuais metodologias e abordagens educacionais. Enfim, é rica e bela a história da escola, uma instituição que se pensava sem fim e que hoje, promissoramente, se prepara para se reconfigurar plenamente.