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Opinião

Turbilh�o

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Quando se achava que nada mais poderia surpreender o País em relação aos desdobramentos da Operação Lava Jato, eis que, no início da noite de quarta-feira, uma notícia cai com efeito de uma bomba atômica sobre o meio político. A revelação de que o presidente Michel Temer havia sido gravado em diálogo embaraçoso com o empresário Joesley Batista, um dos donos do megafrigorífico JBS. Trechos da conversa indicariam que Temer deu aval para que Batista pagasse uma mesada ao ex-deputado Eduardo Cunha para que ele permanecesse de boca fechada na prisão. A delação dos donos da JBS também inclui um repasse de R$ 2 milhões ao senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB. O impacto foi imediato não apenas no âmbito político, mas também na economia, afetando o mercado financeiro. Ontem, jornalistas próximos ao poder deram como favas contadas a renúncia de Temer, mas o presidente afirmou, em pronunciamento, que não teme delação e que não renunciará. Ele mas negou ter havido conversa sobre tentar evitar a delação de Cunha. Estejamos ou não diante de uma distorção dos fatos, não resta nenhuma dúvida de que o governo Temer está por um fio. Diante da repercussão dos fatos, muitos aliados já sinalizam o desembarque do governo. Até ontem, oito pedidos de impeachment haviam sido protocolados na Câmara dos Deputados. A própria base aliada já considera que ficou mais difícil a aprovação dos projetos de reforma trabalhista e da previdência, considerados fundamentais pela equipe econômica. O fato novo também lançou incertezas sobre o julgamento da chapa Dilma-Temer e aumentou a possibilidade de uma eventual cassação do peemedebista. Dentro do TSE, já se discute internamente a possibilidade de antecipar a retomada do julgamento da chapa ? prevista para 6 de junho. Todo esse terremoto acontece num momento em que o governo comemora os primeiros sinais de que a economia estaria começando a sair da recessão. Como observou o senador Fernando Collor, o momento é de uma gravidade pouco vista na história brasileira, mas o País tem instituições sólidas. O fato é que o Brasil está novamente diante do desafio de buscar uma saída dentro da normalidade democrática, sem cair na tentação do casuísmo, do populismo ou do autoritarismo.

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