loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

REFORMAS SEM TEMER

Ouvir
Compartilhar

No dia 17 de abril de 2016, dia do impeachment, Temer tinha 367 votos favoráveis. Motivada pela crise econômica, a base aliada de Dilma, que como sempre foi, para todos os presidentes anteriores, era a maior da história, derreteu e virou a casaca para compor o novo governo com o vice. Temer, um político sem voto nem popularidade, fez a única coisa possível para manter o poder que lhe caiu ao colo, nomeou para a Fazenda o queridinho do mercado, Henrique Meirelles, e torceu para que sua agenda de recuperação fosse abraçada pelo empresariado e pela parcela mais à direita do eleitorado. Meirelles traçou a estratégia: PEC do teto e depois reforma trabalhista e previdenciária. Cabia a Temer conseguir os votos necessários. No dia 5 de abril de 2017 o Estadão fez um levantamento dos votos que Temer tinha conseguido para a reforma da previdência. Após lotear dezenas de ministérios, centenas de diretorias, milhares de cargos comissionados e já depois de fazer grandes concessões como a retirada dos servidores estaduais, Temer tinha apenas 101 dos 308 votos necessários, provando que ele não era o gênio político que o pintaram. Para conseguir os votos que faltavam, Temer recorreu à pura compra de votos, trocados por benfeitorias maléficas aos cofres públicos, sendo a mais notória o perdão de dívidas bilionárias da bancada ruralista. Temer provou não ser o grande articulador alardeado e sim apenas o cara com a chave do cofre. Um dia antes da hecatombe provocada pela JBS e mesmo depois de abrir as portas do galinheiro às raposas, ele ainda não tinha garantida a vitória da previdência na Câmara. A estratégia de Temer para não perder o foro, que a essa altura vale mais que a presidência, é se confundir com as reformas. Não nos deixemos enganar. A base governista de centro-direita não teria a mínima dificuldade em encontrar um nome para substituí-lo. Se mantida a equipe econômica, os planos e a recuperação da economia continuariam no mesmo curso. A senha para a derrocada já foi dada, quando Meireles disse a empresários que ficaria no governo mesmo após uma queda de Temer. Temer não é essencial para as reformas, muito pelo contrário, qualquer um com as chaves do cofre e o apoio do Meireles (inclusive ele mesmo), porém, com menos rejeição e esqueletos no armário, seria um trunfo na luta pela modernização do País. Podemos ir às ruas e soltar o grito sem medo, fora Temer!

Relacionadas