Opinião
P�TRIA AVILTADA
Empresários, principalmente, pequenos e médios, perguntados sobre os últimos acontecimentos que geraram essa turbulência nos mercados, um respondeu com essa lacônica pergunta: ?Por que agora??. Nesta pequena resposta vai uma infinidade de questionamentos que traduzem bem a apreensão de sentir esvair-se repentinamente toda uma esperança de recuperação da nossa economia. Para eles, não se trata de Temer cair ou não cair. Isso pouco importa. Mas trata-se do momento em que uma competente equipe econômica luta para soerguer uma economia combalida, impregnada por dois dos piores problemas : inflação e desemprego. Outro diz: ?Por que não esperaram mais um pouco?? Pode parecer estranho, mas a linguagem de quem gera riqueza, emprego, imposto e faz com que a economia de um país funcione como uma grande engrenagem é diferente daqueles que só veem e usufruem de seus resultados. E um outro: ?E as reformas que estavam, mesmo com todos os protestos, encaminhando-se para se tornar realidade e colocar o Brasil no contexto de nações desenvolvidas??. As esperanças desvaneceram-se. Irônico ver que tudo isso foi perpetrado exatamente por um empresário, que se locupletou da política para fazer negociatas com estatal e soerguer sua empresa que atravessava sérias dificuldades. Mas pouco importa para ele o momento que atravessa o mercado brasileiro pois já fincou tentáculos enormes pelo mundo afora, além de ficar livre dos crimes cometidos, pagando a multa com o estouro do dólar provocado intencionalmente pelas suas delações; vinha comprando compulsiva e adredemente a moeda americana. É de pasmar ter que ouvir daqueles que foram responsáveis pelo momento que nos aflige, aparecerem agora como salvadores da Pátria. Logo eles, componentes de partidos que primaram pelas falcatruas, embustes e todos os significados que estes substantivos nos sugerem. E a nós outros, pobres mortais, cabe-nos assistir ao espetáculo de atitudes amorais e totalmente desprovidas de ética que a cada dia leva-nos para um caminho sem esperança. Finalizo, valendo-me das palavras da professora da Ufal Ana Maria Gama Florêncio, pinçadas de um primoroso texto escrito para esse momento: ?Assim, estamos à deriva, descrentes dos homens que direcionam nossa vida civil, o que faz predominar uma angústia coletiva, incertezas, receios quanto ao futuro da Nação, sofrida e aviltada?.