Opinião
Rela��o de equil�brio
Ontem se comemorou, em todo o mundo, o Dia da Biodiversidade. A data foi estabelecida pelas Nações Unidas com o objetivo de aumentar o grau de consciencialização e conhecimentos acerca da diversidade de natureza viva existente no planeta e as ameaças contra ela. A extinção das espécies vivas presentes sobre o nosso planeta é um fenômeno natural. Entretanto, por causa das atividades humanas, as espécies e os ecossistemas estão hoje mais ameaçados do que em qualquer outra época. As perdas tocam particularmente as florestas tropicais onde vivem 50 a 60% das espécies identificadas, assim como os rios e os lagos, os desertos e as florestas temperadas, as montanhas e as ilhas. Levando-se em conta as taxas atuais de desmatamentos, estima-se que de dois a oito por cento das espécies vivas do nosso planeta vão desparecer nos próximos 25 anos. O Brasil é considerado o país de maior diversidade biológica do planeta. Entretanto, de acordo com o Ibama, 219 espécies animais (109 aves, 67 mamíferos, 29 insetos, nove répteis, um anfíbio, um artrópode, um coral, um peixe e um crustáceo) e 106 espécies vegetais correm o risco de desaparecer. Entre elas, algumas estão praticamente extintas, como a ararinha azul. As ameaças à biodiversidade incluem a caça predatória e ilegal, a derrubada de florestas, as queimadas, a destruição dos ecossistemas para loteamento e a poluição de rios. A defesa do meio ambiente é, portanto, algo urgente e prioritário. Entretanto, a proteção à natureza deve ser vista dentro de uma perspectiva que estabeleça uma relação entre o equilíbrio ambiental, a garantia de direitos humanos fundamentais, a obrigação do poder público de assegurá-los e o dever de cada cidadão de auxiliar nessa conquista. Os direitos humanos e o meio ambiente devem ser vistos como interdependentes. Um ambiente saudável é necessário para que o ser humano usufrua uma vasta gama de diretos humanos. Ao mesmo tempo, o exercício dos direitos humanos é vital para a proteção do meio ambiente. A perda da biodiversidade, por exemplo, impede o desfrute de direitos humanos mais amplos, entre eles o direito à vida, à saúde, à alimentação e à água. É preciso, pois, tratar a proteção do meio ambiente e os direitos humanos de maneira integrada. O homem como parte desse grande ecossistema.