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Opinião

UM TSUNAMI AINDA INDECIFRADO

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As delações dos irmãos Batista trouxeram como consequência um tsunami econômico e político, como também retorno da imprevisibilidade na condução política e econômica brasileiras. O pior cenário para um País emergido de um desgastante processo de impeachment e iniciando uma saída da mais longa e cruel recessão de sua história. Muitas questões cabeludas ainda estão sem resposta: porque o presidente da República recebeu esse mafioso cidadão? Porque o procurador-geral da República, mesmo sem ter feito o básico ? a perícia da gravação ? açodadamente pediu abertura de inquérito no STF? Qual o papel desempenhado pelo ex-procurador da República, muito próximo de Janot, que sem qualquer quarentena, atualmente atua no escritório que defende a JBS? Porque Janot não denunciou os irmãos Batista, como a lei determina que seja feito em relação a líderes de facção criminosa? Mesmo os avessos às teorias conspiratórias, mas por conhecerem a ?sodômica? Brasília não podem descartar a urdidura de conluios ? não seria inédito ? envolvendo altas autoridades da República, que objetivam preservar seus interesses às custas da dificílima recuperação da economia e estabilidade nacionais: todos os esforços deverão ser feitos para que todas as questões dúbias sejam esclarecidas. Entre essas questões está a inaceitável impunidade para os irmãos Batista, os maiores corruptores do sistema político (um em cada três parlamentares federais são seus escravos remunerados) nacional, contrariando a linha adotada pela Lava Jato; assim como a rapidez da OAB ? tão renitente e lenientemente omissa nos governos anteriores ? em se manifestar pelo afastamento de Temer. Ninguém de bom senso e independente titubearia nesse momento se não existissem tantas dúvidas a serem esclarecidas. Não é só um presidente da República que vinha implantando uma agenda de reformas essenciais, a governabilidade e o timing das reformas; isso pode ser executado por um substituto habilitado. A possibilidade dos aventureiros de sempre se aproveitarem dessa situação para insuflar as militâncias bagunceiras em prol de saídas inconstitucionais, como as eleições diretas, é somente um corolário. Chamfort escreveu: ?O homem sem princípios é também comumente um homem sem caráter; pois, se tivesse nascido com caráter, teria experimentado a necessidade de criar princípios para si?. Espera-se que a saída dessa deplorável situação seja unicamente via Constituição, preservando-se intacto o Estado Democrático de Direito e que em nenhum momento se dispense a questão dos princípios, há tanto tempo desprezada no Brasil.

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